João Pessoa 23/05/2018 11:03Hs

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Juro do cheque especial atinge 241% ao ano, maior patamar desde 1995

Depois do cartão de crédito rotativo, juros do cheque especial são os mais caros do mercado, segundo dados do Banco Central

dinheiro muitoEstoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,6% em junho ante maio e chegou a R$ 3,102 trilhões(Beatriz Albuquerque/VEJA)

Os juros do cheque especial subiram de 232% ao ano em maio para 241,3% ao ano no mês passado, o maior patamar desde dezembro de 1995, quando atingiu 242% ao ano, segundo dados do Banco Central (BC), divulgados nesta quinta-feira. Depois do cartão de crédito rotativo, os juros do cheque especial são os mais caros do mercado e registraram uma alta de 93,2 pontos percentuais nos últimos 18 meses.

No caso do cartão de crédito rotativo, os juros subiram para 372,0% ao ano em junho ante 360,5% de maio, uma elevação de 11,5 pontos porcentuais. No parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro aumentou 2,3 pontos de maio para junho, passando de 115,9% ao ano para 118,2% ao ano.

No geral, a taxa média de juros no crédito livre – que excluem financiamento de imóveis e rural – subiu de 42,5% ao ano em maio para 43,5% ao ano em junho. Com essa alta, a taxa volta a ser a maior taxa da série iniciada em março de 2011. Desde o início do ano, em todos os meses a taxa de juros tem sido recorde e batido a do mês anterior.

A alta dos juros bancários acompanha a elevação da taxa básica da economia. Nesta quarta-feira, o BC elevou a Selic de 13,75% para 14,25%. Desde outubro do ano passado, quando a Selic estava em 11%, o BC vem subindo os juros ininterruptamente.

Spread – O spread bancário médio no crédito livre subiu de 29,8 pontos porcentuais em maio para 30,7 pp em junho. O spread é a diferença entre os juros que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram para emprestá-lo.

Estoque – Já o estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,6% em junho ante maio e chegou a 3,102 trilhões de reais. No primeiro semestre do ano, houve alta de 2,8% e, em 12 meses até junho, de 9,8%.

Houve aumento de 0,6% para pessoas jurídicas e alta de 0,7% para o consumidor no mês. De janeiro a junho, a alta está em 2,0% para as empresas e em 3,7% para a pessoa física. No caso do período de 12 meses encerrados no mês passado, as taxas são de crescimento de, respectivamente, 8,9% e 9,8%.

O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 54,4% em maio para 54,5% no mês passado.

(Com Estadão Conteúdo)