João Pessoa 21/06/2018 16:01Hs

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Latam congela centro de conexão de voos no Nordeste

Projeto gerou uma disputa entre os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará

A companhia aérea Latam vai manter congelados os planos de criar um “hub” (centro de conexão de voos) no Nordeste, projeto que foi anunciado com barulho ao ser lançado em abril de 2015, mas ficou no papel por causa da crise.

O projeto está sem previsão porque não há demanda para justificar tamanho empreendimento. Ignacio Cueto, presidente do conselho do grupo Latam, no entanto, não enterra o projeto. “Estamos olhando com muito interesse, mas com cautela”, disse o empresário à reportagem.

Cueto afirma que, com frequência, é questionado se sente algum arrependimento de ter levado seus negócios para o mercado brasileiro, sem saber que em pouco tempo a crise atingiria em cheio a demanda por passagens aéreas.

A LAN, empresa da família Cueto, se incorporou à antiga TAM brasileira na fusão aprovada em 2011, formando a Latam. “Em 2010, quando começamos as negociações e pedimos permissão para a integração, o Brasil crescia a taxas altas, era um bom momento. Aí começaram os problemas. Se foi um bom timing? Não sabíamos que aconteceria tudo isso, mas não nos arrependemos”, diz ele.

Cueto defende que a entrada no Brasil foi “estrategicamente muito importante”.
“Não podemos ser uma empresa sul-americana se não estamos no Brasil. O Brasil vai seguir adiante. Vai demorar, mas vai seguir adiante.”

Quando foi lançado, o projeto do hub previa um investimento de US$ 1,5 bilhão em aviões para atender o centro, destinado a ligar o Nordeste à Europa. Sem ter definido uma cidade específica onde ele seria instalado, na época, o projeto gerou uma disputa entre os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Estudos mostravam que quem ganhasse a disputa para abrigar o hub teria ganhos anuais nos PIBs locais de até US$ 520 milhões.

Mas quando a crise chegou, foi devastadora para o setor. Os dados fechados de 2016 da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) apontam que, no ano, as companhias brasileiras e estrangeiras registraram uma queda de mais de 7% na oferta, diante de um recuo de quase 4% na demanda.

O cenário de redução generalizada na oferta provocou cortes de frequência de voos e a interrupção de algumas rotas internacionais realizados por empresas aéreas estrangeiras.

Folhapress