João Pessoa 21/06/2018 17:47Hs

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Ministros da zona do euro dão ultimato à Grécia.

País tem até quarta-feira para aprovar medidas de ajuste e prosseguir com as negociações

zona do eurozona do euro‘Não há acordo na zona do euro, não há futuro na União Europeia’: gregos protestam contra austeridade em frente do Parlamento em Atenas – Lousa Gouliamaki / AFP

BRUXELAS e ATENAS – Os ministros das Finanças da zona do euro já admitem pela primeira vez a saída temporária da Grécia da zona do euro. Um documento dos ministros analisado em uma cúpula de líderes da zona do euro, e obtido pela Reuters, prevê uma saída temporária de Atenas da zona do euro caso o parlamento grego não aprove as novas condições de austeridade até a próxima quarta-feira, como condição para o pacote de € 86 bilhões.

“No caso de um acordo não ser alcançado, deve ser oferecido à Grécia negociações rápidas em uma saída temporária da zona do euro, com uma possível reestruturação da dívida”, informa um dos trechos do comunicado. A informação foi reforçada pelo ministro de finanças da Finlândia, Alexander Stubb, que afirmou que os ministros deram à Grécia prazo até quarta-feira para aprovar novas leis como condição para que avancem as negociações sobre o pacote de ajuda que o país precisa para evitar perder o acesso à moeda comum.

O socorro de de € 86 bilhões prevê mais medidas de austeridades na Grécia e por isso precisa passar pelo crivo do parlamento grego. A Alemanha segue irredutível em sua posição, defendendo uma saída do país na zona do euro, posição contrária a de países como França, Itália e Espanha. Nos bastidores, os próprios ministros alertam que, se o parlamento não aprovar as novas condições, a saída do euro será uma possibilidade. “São três pontos: número um, a Grécia precisa implementar leis até 15 de julho. Número dois, condições mais duras, por exemplo, em reformas trabalhistas, aposentadorias, impostos e taxas. E número três, medidas bastante duras também para privatizações e fundos de privatizações”.

Ao descrever a proposta conjunta que o Eurogrupo, formado pelos ministros de Finanças da zona do euro, passou ao encontro deste domingo de líderes da zona do euro, Stubb disse a repórteres que o acordo tem “condicionantes bastante amplas”. A Finlândia era o país mais resistente ao acordo, segundo informações de bastidores da reunião de sábado. O partido populista e nacionalista Finns ameaçou sair da coalizão do governo se o resgate grego fosse aprovado.

A reunião deste domingo, que foi reiniciada há pouco, está tensa. De acordo com o “The Guardian”, chegou a ser sugerido que a Grécia transfira € 50 bilhões em ativos para as autoridades da zona do euro para ser vendido. Mas a proposta não foi bem aceita, segundo o jornal britânico.

A decisão final sobre a liberação do terceiro resgate pode sair ainda na noite deste domingo, já que os chefes de Estado e de governo da zona do euro estão reunidos em Bruxelas.

PROTESTO EM ATENAS

Enquanto a reunião segue em Bruxelas, em Atenas manifestantes se reunem em frente ao parlamento grego. Os gregos pedem “Não” (Oxi, em grego) a mais medidas de austeridade. Apesar da polícia estar no local, não há violência.

O Globo