João Pessoa 15/07/2018 20:59Hs

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Nova sede do CCJS da UFCG de Sousa é inaugurada na noite de ontem; veja o discurso!

A nova sede do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais, campus da UFCG de Sousa, no Sertão do Estado, foi inaugurada na noite de ontem, 14, com grande festa para os professores, funcionários e universitários.

A inauguração da nova sede, que fica as margens da BR 230, em Sousa, contou com a presença de várias autoridades, a exemplo do ex-diretor do CCJS, o renomado advogado cajazeirense, Dr. Joaquim Alencar, que fez um discurso emocionante.

O novo CCJS conta com uma moderna estrutura e é um sonho que se torna realidade para todos aqueles que fazem parte da UFCG, uma vez que o ensino irá melhorar ainda mais.

Parabéns a UFCG!

Veja o discurso da inauguração, proferido pelo Dr. Joaquim Alencar:

Boa noite a todos e a todas.

Pedimos permissão para saudar a esta nobre mesa diretora em nome do Magnífico Reitor da UFCG, prof. Thompson Fernandes Mariz, como representante de todos os membros da UFCG-CCJS; na pessoa do excelentíssimo senhor Prefeito do Município de Sousa, Fábio Tayrone, como representante das autoridades civis aqui presentes; na pessoa do Monsenhor Agripino, como representante das autoridades eclesiásticas que se encontram aqui, aos professores, alunos e funcionários, aos colegas diretores e ex-diretores de centros, senhoras e senhores, ilustres convidados.

Gostaríamos de iniciar com a frase que marca a nossa atuação neste evento:

O SONHO QUE SE SONHA SÓ
É SÓ UM SONHO QUE SE SONHA SÓ
MAS O SONHO QUE SE SONHA JUNTOS
É REALIDADE.

Parece que foi ontem… cheguei aqui em 1971… para ser aluno fundador da querida Faculdade de Direito de Sousa… ocupávamos um prédio emprestado, a biblioteca era uma mesa com 50 livros velhos, doados, que tia Munda tomava de conta e aproveitava o resto da mesa para vender café e cocadas.

Aos olhos dos insensatos aquela célula mãe do centro de ciências jurídicas e sociais não passa disso…. ou melhor, não passava de um sonho!

Ah, mas aos olhos daquele jovem magrelo, barbudo e cabeludo aquilo era uma cidade universitária cheia de cursos, repleta de alunos, de professores, de funcionários e de recursos.

Mangavam de mim, chamando-me de visionário… sonhador…

Ora, a Faculdade de Direito não era reconhecida pelo MEC,
quem concluísse o curso nela não poderia exercer a profissão… o MEC chegou a lhe proibir a realização de vestibular, tendo sobrevivido pela inteligência e criatividade de outro visionário, o então Diretor, padre Martinho Salgado, que auxiliado pela sua vice-diretora, madre Aurélia, formou turmas de graduados, escapando da proibição do vestibular…

Fui obrigado a me transferir para Campina Grande, um ano antes da conclusão do curso, para me formar na Rainha da Borborema.

Sai em 1975 e conclui em 1976. Em 1977 voltei já como professor, sendo o primeiro dos seus discentes a assumir a condição de docente, pela titulação alcançada. Ali entrou para a história o jovem diretor da Faculdade, Johnson Abrantes, que assinou a minha CTPS e a quem sou eternamente grato.

Tudo parecia imutável… a querida Faculdade ameaçada de fechar as portas após a publicação de uma matéria pela revista Veja, cujo título era “Os bacharéis de estradas”, dando conta da precariedade de vida daquela instituição que era o nosso sonho.

Em 1979 outro visionário, o reitor da UFPB, Linaldo Cavalcanti

emcampou a nossa faculdade e passamos a ser o Campus VI da UFPB. A querida faculdade de direito mais uma vez, escapou de fechar.

Mas, agora mangavam de nós, chamando-nos de rabo de cavalo – cresce para baixo, porque dos 1.270 alunos que tivemos em nossos tempos áureos tinhamos pouco mais de 400! Crise sobre crise… apesar de todo o empenho de direções honestas como Dr. Vicente Nóbrega, Enaldo Torres, Neumira Abrantes, Inaldo Leitão, Doutor Jarismar, Lourdinha Rodrigues, Mozar Gonçalves. Nas avaliações de desempenho chegamos a ter
cinco conceitos “E” consecutivos e “E” era o menor dos conceitos.

2001… trinta anos depois da fundação o nosso CCJS agonizava… reduzido a vinte e sete professores,
quarenta e um funcionários, quatrocentos e cinquenta e dois alunos… a energia rotineiramente cortada por falta de pagamento e os telefones também… sem crédito para comprar fiado em parte alguma … material de expediente, material didático, gasolina, passagens… para conseguir fazer chegar à reitoria a gravidade dos problemas só se o Diretor e o vice-diretor, Dr. Mizael, gastassem dos próprios bolsos… e o fizemos!

E as pessoas mangavam de nós… uns diziam: é um centro cigano… não tem onde morar; é um saçi-pererê – só tem um curso de direito; os mais perversos diziam… o CCJS é um restaurante que tem um curso de direito (o restaurante recebia R$ 84.000,00 por ano e o CCJS recebia R$ 19.600,00) outros zombam… “eles não soltam nem preá de fojo”… porque a nossa prática jurídica era só teoria… tinhamos a segunda maior área de sede do Brasil, mas, o terreno só não vivia abandonado porque Jesus tomava conta.

Foi nesse cenário que a comunidade do CCJS resolveu convocar o ex-magrelo, ex-barbudo e ex-cabeludo, o “Dinossauro da Casa” para assumir a Direção do Centro… os agoureiros de plantão diziam: agora fecha, esse Joaquim Alencar vai concordar com o fechamento do Centro e levar o curso de Direito para Cajazeiras (um diretor de Centro da UFPB chegou a propor ao órgão máximo daquela instituição o fechamento do CCJS).

Em nosso discurso de posse traçamos as linhas centrais das nossas caminhadas confiando nas palavras de D. Elder Câmara: “Quanto mais negra é a noite, mais carrega em si a madrugada.” buscaríamos mais recursos, criar cursos novos, construir esta cidade universitária, sermos um Centro de excelência.

E no primeiro dia de aula lá estávamos nós, o Diretor, os professores, os funcionários e os estudantes catando cotocos de giz no pátio para podermos ter aulas … o resto da história vocês já sabem, até já estão vendo o resultado aqui e agora… o reitor Jader se foi e o professor Thompson ocupou o seu lugar, saiu a velha UFPB (grande madrasta) e entrou a UFCG … ai, com a ajuda do reitor Thompson – outro sonhador – e de sua equipe, dos colegas Diretores de Centros, a história foi outra…

Mudamos a matriz orçamentária de distribuição de recursos e o CCJS passou a receber quase dez vezes mais recursos, veja a diferença entre a boa a e má vontade, pois, a UFCG recebia cerca de 1/3 dos recursos destinados à UFPB e mesmo assim conseguiu multiplicar por dez o que era destinado ao CCJS.

Agora o CCJS é um Centro que tem um restaurante universitário … e residências universitárias também; deixamos de ser saci-pererê e criamos um turno a mais em Direito (Direito tarde), além de, antecipando-se ao Governo LULA e servindo de modelo, voltamos a criar cursos, antes do REUNI, foi o caso de Ciências Contábeis nascido a partir de cinco professores e da coragem de homens visionários. Depois criamos os cursos de Administração e de Serviço Social. A nossa prática jurídica já fez mais de dez mil atendimentos em casos reais (apesar de nossos alunos não quererem apreender a soltar preás de fojo).

E o mais importante: deixamos de ser ciganos, hoje, 14/12/2012, a história registra que o CCJS inaugura a sua sede própria, agradece a Jesus por todos esses anos que foi o guarda desse patrimônio (área que haverá de ser o pulmão verde de Sousa), enquanto pede a Ele que continue sendo o nosso eterno guardião.

É necessário que façamos o registro de terem os colegas Diretores de Centros da UFCG praticado um ato de nobreza singular, pois, todos abriram mão de parte dos recursos dos seus Centros para que pudéssemos dar início à construção desta magnífica obra. Sousa, o CCJS, sozinho, não conseguiria. Obrigado a cada um daqueles Diretores.

Sobre a sede não há necessidade de falar, nossos olhos podem ver a beleza dessa maravilha obra, ousada como o povo de Sousa, bonita como os corações dos que colaboraram para a sua existência, cidade da esperança conquistada pela força da união, da oração, da perseverança, casa de vocês… cuidem dela com amor e carinho. Essas eram as minhas palavras e minha palavra é como as estrelas… elas não empalidecem!
Façam bom uso desse sonho-realidade, parabéns e muito obrigado!

Bruno de Lima, do Paraíba Urgente