João Pessoa 27/05/2018 17:27Hs

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Brilho feminino na segunda e última noite de Black2Black

angelique2A africana Angelique Kidjo foi um dos destaques da segunda noite do festival Black2black

RIO – A distância entre Brasil e África foi significantemente encurtada na noite de sábado, segunda noite do festival Back2Black, no pilotis da Cidade das Artes. E a grande responsável por isso foi uma mulher: a cantora Angelique Kidjo, um dos grandes nomes da world music, nascida no Benim, que promoveu uma verdadeira micareta durante a sua apresentação, no Palco Rio, com a adesão de boa parte do público.

E a presença feminina sob os refletores do festival teve outros destaques: a funkeira Ludmilla, no Palco Cidade, deitando e rolando com sua popularidade; e as atuações de Alcione, Mart’nália, Fernanda Abreu e da cantora portuguesa Raquel Tavares, em uma homenagem aos compositores negros cariocas, que incorporou também as vozes de Xande de Pilares e de Gabriel Moura.

A segunda e última noite do Black2Black começou por volta das 19h45m, no Palco Cidade, com o grupo Alabê Ketujazz, um quarteto de percussões e sax, que navegou pelos sons afro-brasileiros da tradição do candomblé. Mal acabou o show, iniciou-se no outro palco uma espécie de continuação deste: o encontro de Lenine com a Orkestra Rumpilezz, do maestro Letieres Leite.

Trabalhando com refinamento e ousadia o legado de Moacir Santos e da Orquestra Afro-Brasileira de Abigail Moura, Leite e a Rumpilezz propuseram novos caminhos para a música do cantor e compositor pernambucano, que se fez acompanhar pelo time instrumental em releituras radicais, quase sempre belas, das suas “Relampiano”, “Do it”, “Paciência” e “Leão do Norte”. De quebra, foi apresentada ali a inédita “À meia noite dos tambores silenciosos”, de Lenine e Carlos Rennó, que fará parte, em gravação com a Orkestra, do novo disco do cantor, “Carbono”, que sai dia 30 de abril.

A cantora lusa Raquel Tavares roubou a cena na homenagem aos compositores negros cariocas

Entrosados, a brasileira Natasha Llerena e os angolanos Aline Frazão e Toty Sa’med trançaram vozes, no Palco Cidade, para mostrar o quanto um tem do país do outro em sua música. E, em seguida, foi a vez de Angelique Kidjo, no Palco Rio, dar partida à festa do afropop, com vitalidade de estrela do axé, dançando como se não houvesse amanhã. Aos 54 anos de idade, a cantora mantém não só a animação em dia, mas também a voz e um raro poder de comunicação – mesmo cantando em língua africana. Em canções como “Batonga”, “Senamou”, “Afirika” e “Pata pata” (hit mundial da sua grande inspiração, a cantora Miriam Makeba), Angelique deu provas de sua qualidade de estrela e terminou o show com várias meninas do público dançando no palco.

Uma sessão do animado ritmo moçambicano da marrabenta, com Mingas, Wazimbo e Moreira Chonguiça, preparou o espírito do público para a homenagem aos compositores negros cariocas organizada pelo produtor Kassin (que tocou o baixo na banda junto com o produtor Liminha, diretor artístico e guitarrista do espetáculo). Alcione (uma beleza em “Enredo do meu samba”, de Jorge Aragão; e “Eu e a brisa”, de Johnny Alf), Mart’nália (numa emocionante “Zumbi”, de Jorge Ben Jor) e Fernanda Abreu (comandando o suingue em “Acende o farol”, de Tim Maia) brilharam, mas quem roubou a noite foi a lusa Raquel Tavares, totalmente carioca em uma recriação dub reggae de “Vapor barato”, hino contracultural de Waly Salomão e Jards Macalé. E o show terminou com uma homenagem ao recentemente falecido arranjador Lincoln Olivetti e ao seu parceiro Robson Jorge (morto em 1993), com o balanço funk oitentista de “Aleluia”, grande hit da dupla.

Madrugada corria quando Ludmilla subiu ao Palco Cidade para fazer um desfile non stop de hits. Boa parte deles seus (“Hoje”, Fala mal de mim”, Sem querer”, “Garota recalcada”, Te ensinei certin”), o que chega a ser impressionante para quem tem 19 anos de idade e pouco tempo de carreira. Com total presença de palco, banda competente e bailarinos, a moça não se fez de rogada e pegou hits de Anitta (“Não para”), Valesca Popozuda (“A diva que você quer copiar”) e Beyoncé (um “Halo” com todas as peripécias vocais) para não perder tempo em sua curta mas avassaladora passagem pelo Back2Black.

O belga filho de ruandense Stromae foi a principal atração da noite – Divulgação/João Wainer

Alguns já tinham ido embora quando, bem passado das duas da manhã, entrou no Palco Rio o que seria a atração principal da noite: o belga filho de ruandense Stromae. Um artista que canta em francês e que carregou público em boa parte por causa do sucesso da faixa puxada para a dance music “Papaoutai”. No palco bem produzido, ele revelou ser um performer muito mais interessante do que se poderia supor, usando os dotes de ator para desdobrar-se em várias vozes, e a sua estilosa banda de quatro músicos, todos com chapéu coco e gravata borboleta, para passear pela canção de cabaré (“Tout les mêmes”) ou para homenagear a dama da canção caboverdiana Cesária Évora (“Ave Cesaria”).

O Globo