João Pessoa 21/05/2018 14:53Hs

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Museu Imperial recebe caderneta que descreve pedaço do Brasil no século XIX

Viajante inglês relata impressões sobre país em 1848. Ele é autor da imagem apontada como a mais antiga do Palácio Imperial, residência de verão de Dom Pedro II

pedaço do brasilPEDAÇO DA HISTÓRIA: acima, uma visão o Rio em 1848, acrescida de comentário em que Collett fala da “dificuldade e do esforço para apresentar perfeitas visões aos amigos sobre a originalidade do cenário brasileiro”. Abaixo, imagem do Palácio Imperial também em 1848, 14 anos antes de concluída a obra. “Encontrei uma floresta fechada, impenetrável, com as características pertencentes à natureza selvagem da região”, diz o texto. (VEJA.com/Reprodução)

Boa parte da história do Brasil está contada nas anotações de estrangeiros que visitaram o país no século XIX e registraram suas impressões em papel. Em geral os originais deste acervo ficam guardados em suas cidades de origem. Nesta sexta-feira, porém, o Museu Imperial de Petrópolis vai receber uma preciosidade que cobiçava há muito tempo: o bloco de anotações do inglês William Rickford Collet. Observador minucioso, em dois meses de Brasil Collet preencheu setenta páginas de escritos e, na página mais valorizada pelos historiadores, desenhou a imagem mais antiga de que se tem notícia da construção do Palácio Imperial, residência de verão de Dom Pedro II e hoje sede do próprio museu. As negociações pela caderneta se arrastam desde 2007; só agora os dois descendente de Collett, que moram na Nova Zelândia, decidiram fazer a doação e viajaram até Petrópolis para a cerimônia oficial.

Collet esteve no Brasil de fevereiro a abril de 1848 como representante de uma mineradora inglesa, emprego que conseguiu depois de perder a eleição por uma cadeira no Parlamento em Londres. Sua missão era relatar o potencial de extração de metais preciosos no país e para tanto viajou do Rio de Janeiro a Barão de Cocais, cidade perto de Ouro Preto, em Minas Gerais. Sob o título “Journey from Rio de Janeiro to the Mines”, as anotações, encadernadas em couro com fecho de metal, relatam o dia-a-dia e os problemas do trajeto e descrevem o que foi encontrando às margens do caminho. “É o olhar de um observador de fora, com referências muito relevantes para nós. Ele comenta o cansaço que sentiu, as dificuldades da viagem, como eram as pessoas, as casas e as vestimentas. Fala até de mulheres doentes e os remédios que lhes oferecia”, diz o diretor do Museu Imperial, Maurício Ferreira.

A viagem do inglês foi pelo então caminho novo para as minas, que começou a ser usado no início do século XVIII e encurtou a viagem de 43 para apenas doze dias. Collet, no entanto, levou quase dois meses, por causa das paradas para reunir detalhes do que via. Passados mais de 150 anos, o caderno onde fez suas anotações completa seu ciclo e volta para onde tudo começou.

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