João Pessoa 19/07/2018 08:08Hs

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Acostumado a enfrentar De Bruyne, Wallace ressalta DNA ofensivo da Bélgica e alterta Brasil

O lateral brasileiro Wallace, que na última temporada esteve no futebol grego, viu de perto o início da geração belga. Tendo atuado três anos no país, no meio de alguns dos craques que nesta sexta-feira (06) tentarão derrubar o Brasil na Copa do Mundo, o jogador contou um pouco para oGol sobre o rival brasileiro.

Lateral do Gent por três temporadas, Wallace lembra que, quando por lá estava, a famosa “Geração Belga” estava começando a ser lapidada, com destaque para Kevin De Bruyne, Courtois, Witsel e Lukaku, todos titulares na Rússia.

“Quando estive na Bélgica, já dava para ver que estavam tentando montar uma seleção para o futuro. Eram muitos jovens com qualidade. De Bruyne, Courtois, Witsel, Lukaku. Já viam, no país, que eles tinham muito potencial para o futuro, e se concretizou: a seleção da Bélgica é muito forte”, contou.

Wallace analisa que a formação de um time tão poderoso não foi coincidência: nos clubes, os jogadores belgas já eram apresentados ao DNA ofensivo que hoje chama a atenção no Mundial.

“Foi um trabalho que eles foram fazendo. Era comum lá a maioria dos clubes jogarem no 4-3-3. Desde de a base, os meninos treinavam no 4-3-3, até chegar ao profissional. Os pontas já começavam desde a base nessa formação. Sabendo que tinham jogadores de técnica boa, eles sempre procuravam tentar jogar com a bola, sem querer dar chutão. Não era um jogo mais físico, mas sempre procurando jogar com a bola no chão. Sempre procuraram passar isso para os jovens”, analisou.

Na formação de talentos, Wallace também vê uma semelhança com o Brasil: na Bélgica, os jovens também ficam por pouco tempo no país, logo sendo negociados com as ligas mais fortes da Europa.

“A maioria dos clubes de lá trabalha assim, semelhante ao Brasil. Os jogadores que eles observam muito potencial, quando eles atingem 19, 20 anos, eles vão ser vendidos para uma liga mais forte. Quando eu estava lá, o Lukaku tinha um ou dois anos de profissional, mas já recebia proposta de várias equipes da Europa. Todos sabiam que era só fazer bom trabalho de base que o jogador quando chegasse no profissional, só ia ficar ali um ou dois anos até ir para uma liga mais forte”, explicou.

Mas, apesar de as promessas não ficarem muito tempo no país, Wallace teve tempo de enfrentar alguns dos craques belgas. O brasileiro destaca De Bruyne, quem teve a oportunidade de enfrentar algumas vezes.

“Eu joguei muito contra o De Bruyne. Ele jogava no Genk, eu no Gent. A gente tinha muito confronto contra o time dele. Nesse tempo, ele jogava como winger, que é o ponta. E eu, lateral… Ele jogava sempre no meu lado, dava trabalho. Jogador com técnica incrível, rápido… Naquela geração, eu via que era um dos que tinha mais potencial”, recordou.

O que o Brasil terá pela frente 

Em férias no Brasil, ainda ajustando a situação para a próxima temporada, Wallace acompanha a Copa. O lateral analisou os pontos fortes e fracos do próximo adversário da seleção brasileira.

“A Bélgica está fazendo uma Copa muito boa, até o jogo com o Japão, que eles não jogaram tão bem, mas mesmo assim conseguiram se recuperar e buscar o resultado. Acredito que o jogo com o Brasil vai ser muito aberto. O que acontece: a Bélgica, por ter jogadores técnicos, que gostam de jogar com a bola, vai dar espaço para o Brasil jogar. Eles não vão ficar esperando o Brasil: vão tentar jogar também, porque já está no DNA deles. O Brasil pode tirar vantagem nesse ponto, porque vai ser atacado, mas também vai ter muito espaço para atacar. Jogadores da frente, Hazard, Lukaku, De Bruyne, são perigosos, que merecem uma atenção. Eles jogam grandes jogos, jogam também contra os jogadores da seleção. Vai ser um jogo de igual para igual, mas acredito que o Brasil pode passar”, analisou.

No encontro, Wallace ainda destacou a proximidade de alguns jogadores. São 18 atletas que jogam juntos em clubes, mas que agora estarão como adversários, disputando vaga nas semifinais da Copa.

“Acredito que deve haver um respeito muito grande, de ambas as partes. Jogam no mesmo clube, mas agora cada um defende o seu, seu país, em uma Copa do Mundo, que todo mundo tem o sonho de jogar… Quando começar o jogo, a amizade fica meio de lado. Como ponto positivo, você, convivendo com o jogador dia a dia, você já sabe a jogada que gosta mais de fazer, o lado que gosta mais de sair, o atacante o lado que gosta mais de driblar… O negativo é que você vai estar eliminando um amigo de clube. Muitos brasileiros tenho certeza que têm amizade com belgas que jogam no mesmo clube. Você vai criando uma amizade… Acaba o jogo, você fica triste porque tem um amigo deixando o sonho para trás”, destacou.

O Gol