João Pessoa 22/05/2018 17:43Hs

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Após debates marcados por ironias, jurados se reúnem para definir futuro de canibais

Jorge Beltrão, Isabel Pires e Bruna Silva respondem por matar e esquartejar vítima

canibaisApós a réplica da acusação e a tréplica dos defensores do trio de réus conhecido como “canibais de Garanhuns”, os jurados se retiraram do Salão do Júri do Fórum de Olinda, na Região Metropolitana do Recife, se reuniram em um cômodo reservado. É lá onde decidirão o futuro de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 52 anos, Isabel Cristina Torreão Pires, 53, e Bruna Cristina Oliveira da Silva, 28. A expectativa é de que a sentença saia por volta das 20h desta sexta-feira (14).

Os réus são acusados de matar, esquartejar e ocultar o cadáver da jovem Jéssica Camila da Silva Pereira, morta aos 17 anos, em maio de 2008. A vítima, que vendia doces na rua, foi convidada para trabalhar como empregada doméstica na casa onde o trio morava, no bairro de Rio Doce, no mesmo município onde ocorre o julgamento. Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a jovem foi mantida em cárcere privado até ser assassinada.

Os jurados têm até uma hora para votar em uma série de questões levantadas ao longo do júri. Em seguida, retornarão ao salão. De posse do resultado das deliberações, a juíza Maria Segunda Gomes de Lima dará o veredito. O resultado porá fim a uma jornada iniciada na manhã da quinta-feira (13) e repleta de declarações polêmicas.

Leo Motta/Folha de Pernambuco

Promotora: “Parece até que os acusados são santos”

Réplica repleta de ironias
Em sua réplica, a promotora Eliane Gaia, que já havia falado pela manhã, pediu pena máxima e reforçou a necessidade de que os réus sejam condenados por todos os crimes pelos quais foram denunciados – homicídio quadruplamente qualificado, vilipêndio (violação do corpo da vítima) e ocultação de cadáver. Em seus discursos, a defensora de Jorge Beltrão e os advogados de Isabel Pires e Bruna Silva tinham pedido que os jurados desconsiderassem algumas qualificadoras do assassinato e o vilipêndio.

 Eliane Gaia também ironizou a tentativa da defesa em converter os acusados em vítimas, sendo Jorge caracterizado como insano, e Isabel e Bruna, como pessoas obrigadas pelo réu a cometer os crimes. “Parece até que são santos e que a única culpada é Jéssica (da Silva Pereira)”, disse a promotora. No caso das duas rés, Eliane Gaia destacou que ambas eram livres e podiam ter denunciado os crimes quando quisessem.
Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Defensora de Jorge espera obter redução da pena

Tréplica: defensores insistem em teses
Já na tréplica, o advogado de Isabel Pires, Paulo Sales, voltou a reforçar que sua cliente era dependente emocionalmente do marido, Jorge Beltrão, e que foi coagida a cometer os crimes pelos quais o trio é acusado. A mesma linha foi usada pelo advogado Rômulo Lyra, que defende Bruna Silva.

Já a defensora de Jorge, que foi a última a ter direito a tréplica, insistiu no pedido de semi-imputabilidade do acusado. “Desde ontem, estou pirada com esse negócio. O médico de Garanhuns disse que Jorge tem problema. O perito disse que não”, declarou, voltando a garantir que o réu tem problemas mentais e que, por isso, merece a redução da pena e acompanhamento médico.

 

Folha de Pernambuco