João Pessoa 24/04/2018 12:50Hs

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Bolt perde aura de invencível no adeus aos 100 metros no Mundial

Jamaicano foi bronze em Londres, com 9s95; ouro foi para o americano Justin Gatlin, com 9s92, que havia sido vaiado pelo público no estádio antes da prova

O atleta jamaicano Usain Bolt, o homem mais rápido da história, escreveu neste sábado um dos últimos capítulos de sua lendária e vitoriosa carreira. Aos 30 anos e 11 meses de idade, Bolt se despediu da prova mais rápida do atletismo, os 100 metros, com a medalha de bronze no Campeonato Mundial em Londres, com 9s95. O ouro foi para o americano Justin Gatlin, com 9s92, e a prata, para o também americano Christian Coleman, com 9s94.

Eram 21h45 no Estádio Olímpico de Londres quando o jamaicano deu a largada para encerrar uma das maiores hegemonias de toda a história do esporte. Como de costume, ele ficou atrás de rivais nos primeiros metros depois da partida; mas, de forma inédita, ele não se recuperou a tempo de vencer a prova como sempre fez. Em dez anos, entre 2008 e 2017, ele só havia deixado de ganhar uma vez a prova mais rápida do atletismo nas duas competições mais importantes, as Olimpíadas e os Mundiais.

Ao fim da prova, parecia que o vencedor era o jamaicano, que atraiu todos a atenção dos fotógrafos e dos torcedores.

Bolt buscava sua quarta vitória em Mundiais na prova que o consagrou, depois das conquistas em Berlim (2009), Moscou (2013) e Pequim (2015). Ele só não ganhara no Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, em 2011, ao queimar a largada na final e ser desclassificado. Isso significa que ele nunca havia deixado de ganhar as provas de 100 m que completou.

Gatlin, 35 anos, é frequentemente vaiado pelos torcedores sempre que seu nome é anunciado antes das provas. Isso porque ele cumpriu suspensão de quatro anos, entre 2006 e 2010, por ter sido flagrado por doping. Mas ele sempre foi um dos velocistas mais rápidos de sua geração. Ele ganhou a medalha de ouro nos 100 metros na Olimpíada de Atenas, em 2004, e no Mundial de Helsinque, em 2005.

O jamaicano é o atual tetracampeão mundial nos 200 metros, mas abriu mão de participar da prova para se dedicar aos 100 metros e ao revezamento 4 x 100 metros. A equipe da Jamaica, sempre liderada por Bolt, venceu o revezamento nos quatro últimos Mundiais. Será nessa prova que ele fará a sua despedida das pistas, no próximo fim de semana (a final será no domingo, dia 13).

Bolt avançou para a final dos 100 metros com o segundo melhor tempo entre os oito classificados, com 9s98, atrás apenas do americano Christian Coleman, de 21 anos, que venceu justamente a semifinal em que o jamaicano estava, com 9s97. Gatlin, por sua vez, havia ficado em segundo lugar na sua semifinal, com o tempo de 10s09.

Bolt ainda é o dono de marcas que parecem insuperáveis: o recorde mundial dos 100 metros, com 9s58, e dos 200 metros, com 19s19. As duas marcas foram estabelecidas no Mundial de Berlim, em 2009, quando ele tinha 22 anos.

Ele ostenta ainda o inédito tricampeonato olímpico dos 100 metros e dos 200 metros, com os ouros em Pequim (2008), Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016), além dos ouros em 2012 e 2016 no revezamento 4 x 100 metros (o quarteto jamaicano ficou em primeiro lugar também nos Jogos de 2008, mas foi desclassificado por causa do doping de um atleta).

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