João Pessoa 17/08/2018 00:25Hs

Início » Esporte » Cerimônia em SP define grupos do ensaio geral para 2014

Cerimônia em SP define grupos do ensaio geral para 2014

A Copa das Confederações é uma versão bastante reduzida do Mundial: são seis cidades-sede (na Copa serão doze), oito seleções (contra 32 em 2014) e apenas dezesseis partidas (no torneio principal, serão 64). Da mesma forma, as dimensões da cerimônia que definirá os grupos da competição também são bem menores: trata-se de uma festa mais curta, mais simples e menos badalada. Ainda assim, o sorteio das chaves, neste sábado, a partir das 11h20 (no horário de Brasília), no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo, é um evento de inegável importância no calendário do país-sede na contagem regressiva até 2014. Com a presença da presidente Dilma Rousseff, do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e de ministros, governadores e prefeitos – além de técnicos, dirigentes e ex-jogadores de diversos países -, a breve apresentação, que será comandada pelo secretário-geral Jérôme Valcke, é o segundo grande marco na estrada até a Copa (o primeiro foi o sorteio das Eliminatórias, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro). De quebra, ganhou um peso adicional para os brasileiros nos últimos dias. Afinal, o torneio será a prova de fogo da seleção em sua nova fase, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, como treinador, e Carlos Alberto Parreira, como coordenador técnico. A montagem da tabela pode ajudar a determinar como será todo o caminho da equipe até 2014 – se atribulado e problemático, em caso de uma Copa das Confederações decepcionante, ou contagiante e animador, se o Brasil mostrar um bom futebol no ensaio geral para o ano seguinte.

Ainda assim, o novo técnico da seleção negou sentir obrigação de levantar a taça da competição, que começa em 15 de junho de 2013, em Brasília, e acaba no dia 30 do mesmo mês, no Rio de Janeiro. Em uma entrevista coletiva na véspera do sorteio, no próprio Anhembi – seu primeiro compromisso oficial neste retorno ao cargo -, Felipão afirmou que, para ele, mais importante que a conquista é a chance de montar seu time para a Copa. Ele prevê que o torneio definirá “90% ou até 100%” do grupo para 2014. Scolari se disse ansioso pela oportunidade de disputar partidas oficiais – a ausência do Brasil das Eliminatórias, por ser o país-sede, faz com que o time tenha dificuldades para entrar em ritmo de competição, acredita ele – e pelos duelos contra seleções mais fortes do que os oponentes mais recentes da equipe, como Japão, Iraque, África do Sul e China. Não que Felipão esteja torcendo para o Brasil cair num “grupo da morte” em 2013: “Nem tanto ao céu, nem tanto à Terra”, brincou ele ao ser questionado sobre se gostaria de integrar, logo de cara, uma chave com três equipes fortes. “Vamos esperar. Teremos de enfrentar quem vier pela frente”, afirmou. Até pelo pequeno número de seleções classificadas para o torneio, a chance de o Brasil cair num grupo complicado é bem maior do que na Copa. Uma adversária já está definida: é a Itália, atual vice-campeã europeia, quatro vezes campeã do mundo. O sorteio deste sábado pode completar o grupo A com México e Japão, por exemplo (ou México e o campeão da África, ainda a ser definido). Indiscutivelmente fácil, mesmo, só um oponente entre os sete possíveis adversários: o Taiti, campeão da Oceania.

Roteiro – O rival mais temido – e também o que todos querem ver enfrentando a seleção – é a Espanha, campeã da Europa e do mundo. O duelo, no entanto, só pode acontecer nas fases eliminatórias, já que a seleção de Xavi, Iniesta, Piqué e Casillas é a outra cabeça de chave do torneio, encabeçando o grupo B. De acordo com uma regra comum a todas as competições da Fifa, as fases de grupos não devem, se possível, trazer confrontos entre seleções de um mesmo continente. Com isso, o Uruguai, campeão da Copa América, também já ficou definido no grupo dos espanhóis. O sorteio, portanto, tem pouca coisa a decidir: só quatro países participantes, justamente os coadjuvantes do torneio, ainda não conhecem suas chaves. Vale lembrar, no entanto, que outro elemento importante da cerimônia é a distribuição dos times nas posições dos grupos. O Brasil figura na tabela como A1, enquanto a Espanha é B1. A Itália e o Uruguai já sabem quais serão suas chaves, mas não suas colocações dentro delas nelas. Isso define a ordem e o local dos jogos – se a Itália cair como A2, por exemplo, pega o Brasil logo na abertura do torneio. Se for a equipe A4, por outro lado, encara a seleção da casa só na última rodada, em Salvador (e com boa chance de que ambas já estejam classificadas às semifinais, faltando definir apenas o primeiro lugar do grupo). Além de Brasília e Salvador, a seleção joga em Fortaleza na primeira fase. Se avançar em primeiro lugar, jogará em Belo Horizonte com o segundo colocado da chave B. Se passar em segundo, volta a Fortaleza na semi.

Atual bicampeã da competição – venceu tanto na Alemanha em 2005 como na África do Sul em 2009 -, a equipe da casa tenta seu terceiro título (ganhou também em 1997, na Arábia Saudita, quando o torneio ainda não era usado como um teste para os países-sede de Mundiais). A expectativa para ver a seleção encarando grandes adversários no próprio país – e em uma competição oficial, o que não acontece há muito tempo – fez com que a fase de pré-venda de ingressos promovida pela Fifa fosse um sucesso, pelo menos em números (houve falhas no sistema on-line). De acordo com anúncio feito por Blatter na sexta, depois de uma reunião do Comitê Organizador, mais de 130.000 ingressos já foram garantidos pelos torcedores. Nesse mesmo período das vendas, a África do Sul tinha comprado apenas 10.000. A passagem dos dirigentes da Fifa pelo país – numa semana com agenda cheia de eventos importantes para a entidade – também foi marcada por palavras confiantes dos cartolas. Tanto Blatter como Valcke disseram em várias ocasiões que confiam na entrega de todos os estádios a tempo. Afirmaram também que estão animados com o fato de a competição já estar próxima. “Já dá para sentir o clima”, disse o secretário-geral. Nesse sentido, a festa deste sábado – em que Valcke contará com a ajuda do chef Alex Atala e da modelo Adriana Lima para sortear as bolinhas com os nomes das seleções – também pode contribuir para aumentar a expectativa da torcida local. Depois da festa no Anhembi, os próximos passos serão as inaugurações dos primeiros estádios e, nos primeiros meses de 2013, os eventos-teste antes do torneio.