João Pessoa 28/05/2018 09:45Hs

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Flu vence, dispara na ponta e ameaça o Flamengo

Imagine a sensação de abrir seis pontos de vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro. Imagine alcançar esse conforto ao vencer justamente um clássico – e que clássico!. Imagine, de quebra, ver o rival voltar a olhar com desconfiança para a tabela de classificação. Ou pergunte a um torcedor do Fluminense. Com a vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo neste domingo, no Engenhão, ele sabe muito bem como é.

Golaço de Fred no primeiro tempo, de voleio, imunizou o controle que o Flamengo teve em uma partida emocionante ao extremo. A maior posse rubro-negra revelou-se inútil. Chance clara desperdiçada por Cleber Santana e pênalti perdido por Bottinelli completaram o domingo ruim para a equipe de Dorival Júnior. E permitiram que o Tricolor repetisse o placar do primeiro turno – a equipe de Laranjeiras não vencia as duas sobre o rival desde o Brasileiro de 2004.

A rodada deu peso maior ao triunfo da turma comandada por Abel Braga. O Atlético-MG, vice-líder, não conseguiu vencer a Portuguesa – empatou por 1 a 1 no Canindé. O Fluminense agora tem 59 pontos, contra 53 do Galo. Já o Flamengo foi prejudicado pela vitória do Bahia, mas pelo menos viu o Coritiba empatar em casa com o São Paulo e o Sport perder fora para o Corinthians. Está em 11º, com 34 pontos – sete a mais do que os pernambucanos, que abrem a zona de rebaixamento.

O primeiro colocado do Brasileirão volta a campo no sábado, em clássico contra o Botafogo no Engenhão. Dois dias antes, no mesmo estádio, o Rubro-Negro recebe o Bahia.

Golaço

A diferença entre Flamengo e Fluminense no primeiro tempo não esteve na posse de bola, tampouco na capacidade de tramar jogadas, muito menos no interesse em vencer o jogo. Nada disso. Se o Tricolor pulou na frente, foi porque teve brilho individual. Pois perceba-se: o gol do Flu saiu em uma das jogadas mais difíceis, mais improváveis, daquelas que exigem perícia extrema, e o gol do Fla não nasceu mesmo com o time rubro-negro tendo duas oportunidades vivas – bem mais simples do que aquela do gol do adversário.

É que o Fluminense tem jogadores superlativos. Tem Deco. Tem Thiago Neves. E tem Fred, sobretudo Fred. O gol tricolor é exemplar para se analisar a capacidade técnica da equipe de Abel Braga. Aos 17 minutos, enquanto a defesa do Flamengo se arrumava depois de Wellington Nem quase marcar por cobertura, Deco se apressou e bateu escanteio curto para Thiago Neves. Num piscar de olhos, a jogada voltou para o camisa 20, que olhou para a área e já percebeu a movimentação do centroavante. E aí era tudo com Fred.

Enquanto a bola viajava, ele deixava a marcação a ver navios. Frauches ficou no meio do caminho. E Fred teve espaço para apresentar ao Engenhão toda a qualidade que emana de suas chuteiras. Ele arremessou seu corpo no ar e pegou de primeira, com a perna direita acima da esquerda, de voleio. Gol de quem tem noção de espaço, técnica e potência. Golaço.

Justiça seja feita ao Flamengo. Com Cleber Santana e Léo Moura no meio-campo, o time rubro-negro conseguiu ter a bola sob seu controle em boa parte do primeiro tempo – a etapa terminou com 55% de posse de bola para o time comandado por Dorival Júnior. É um sinal de que a equipe já consegue criar ações coletivas, algo tão raro no decorrer da temporada. Mas faltou o gol.

E não foi por falta de oportunidades que ele não veio à luz. Ibson teve duas oportunidades. A primeira foi de cabeça, logo depois de Fred abrir o placar. A segunda foi um pouco mais tarde, quando ele recebeu na área e, frente a frente com Cavalieri, parou no goleiro tricolor.

O Fluminense, depois de marcar seu gol, conseguiu equilibrar o controle do jogo – a posse beirou os 70% para o Flamengo no terço inicial da partida. Cabeceio de Fred para fora e chute fraco de Wellington Nem foram as demais tentativas do líder do Brasileirão no primeiro tempo.

Thiago Neves assusta, Cleber Santana e Bottinelli perdem

Uma, duas, três vezes. Faltou pouco para Thiago Neves ampliar para o Fluminense no segundo tempo. Ele acertou a trave, carimbou o travessão e obrigou Felipe a espalmar em três conclusões diferentes. Quase.

Em um segundo tempo de desespero para o Flamengo, o meia foi a válvula de escape do Tricolor. Mais uma vez, o time rubro-negro conseguiu ter maior posse de bola, mas demorou para criar. Quando criou, jogou as chances no lixo.

Cleber Santana perdeu um daqueles gols que é melhor não explicar. O cruzamento de Ramon encontrou o meia frente a frente com as traves. Era só fazer. Mas ele bateu por cima. Impressionante.

Nixon, pouco depois, também teve chance viva. Mas cabeceou para fora. A entrada de Renato, ausente desde 19 de agosto por causa de cirurgia no joelho direito, foi a cartada final em busca do empate. E quase deu certo. Diguinho derrubou Wellington Silva na área. O juiz não deu sequência, e o gol de Renato acabou anulado.

Mas o Flamengo pelo menos tinha um pênalti a bater. Bottinelli partiu para a cobrança, partiu em busca do empate, à caça da sobrevida. E errou! Cavalieri caiu no canto e salvou o Fluminense.

Era o aviso final de que o domingo não seria rubro-negro. Vagner Love, segundos depois, mandou para a rede, mas em impedimento. Não valeu. Passados cinco minutos de acréscimos, o Engenhão viu o alívio tricolor e a incredulidade flamenguista. Que jogo…

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