João Pessoa 23/05/2018 20:42Hs

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Náutico x Santa Cruz: duelo de setores

naútico e santa peFaltam poucos jogos para o final da temporada 2014 e, com o passar dos jogos, fica cada vez mais evidente quais são as fraquezas e as qualidades das equipes pernambucanas. Com seus pontos fortes, e os outros não tão fortes, Náutico e Santa Cruz se enfrentam no próximo sábado, na Arena Pernambuco. O resultado do jogo dependerá bastante do funcionamento de equipe do Timbu e do Tricolor em todos os setores do jogo. Para entender onde o clássico pode ser decidido, o Blog de Primeira retrata a situação dos dois times envolvidos.

Náutico

Defesa

Desde a lesão do zagueiro Luiz Alberto, ainda em março, o Náutico passou a conviver com problemas em formar seu sistema defensivo. Flavio, Edvânio, Mario Risso, Renato Chaves, William Alves…nenhum deles passou confiança necessária para se tornarem intocáveis no grupo. Para o Clássico das emoções, Luiz Alberto e William Alves devem formar a dupla titular. A mesma parceria que no jogo contra o Icasa não funcionou. Ainda sim, é o “melhor” que o Timbu pode apresentar. Tudo isso para complicar ainda mais a vida do goleiro Júlio César. Sem ele, a situação poderia ser ainda pior.

As laterais são os setores mais deficitários da equipe nesta temporada. Na direita, Rafael Cruz e Neílson brigam para ver quem compromete menos. Na esquerda, Roberto e Raí intercalavam boas exibições com partidas desastrosas. Com a saída do primeiro, Raí passou a disputar a posição com Gaston Filgueira, jogador que só estreou há algumas rodadas. Em suma, não dá para exigir muito dos laterais. Neílson e Filgueira devem começar jogando, mas em comparação com os alas rivais, Tony e Tiago Costa, o Náutico vai perdendo de goleada

Meio

Gilmak, Elicarlos, Roberto e Vinicius. Esse foi o meio-campo do Náutico no clássico do primeiro turno contra o Santa, no Arruda. A derrota por 3×0 não foi em vão: o Timbu teve uma atuação desastrosa no setor. De lá para cá, apenas o armador continuou no time. Com a saída de Sidney e a chegada de Dado Cavalcanti, o Náutico passou a ter mais equilíbrio. João Ananias e Paulinho trouxeram a pegada defensiva. Cañete ou até em alguns casos mais um ataque ajudaram Vinícius a não carregar nas costas a obrigação de armar as jogadas. Um Timbu com mais opções. A melhora, contudo, não foi suficiente para levar o time a uma arrancada. O sucesso do Náutico depende fundamentalmente do meio-campo, principalmente do polivalente Paulinho.

Ataque

“O Náutico sempre tem sorte com atacante”. Essa frase caiu em desuso nesta temporada. O Timbu não deu a mesma sorte dos últimos anos e não conseguiu emplacar nenhuma dupla de confiança. Tadeu chegou até com essa responsabilidade, mas não correspondeu. Marinho, acometido por diversas lesões, também não jogou o que se esperava. Hoje a esperança está em Sassá, com oito gols no torneio. Para quem teve o artilheiro da Série B em 2011, o Náutico parece ter esgotado sua cota de sorte com os atacantes.

Santa Cruz

Defesa

Apesar de ter sido criticada durante a Série B, a defesa do Santa Cruz é a melhor da Série B – empatada com Ponte Preta e Vasco, com apenas 31 gols sofridos. Mas é verdade que os defensores corais passaram por momentos de instabilidade no torneio. Everton Sena e Renan Fonseca foram muito bem em alguns jogos e muito mal em outros tantos. A desejada estabilidade chegou junto com Alemão, o novo titular do setor. Desde a estreia na zaga, o ex-atleta do Náutico ajeitou o sistema defensivo coral.

Nas laterais, o rendimento é compatível. Na direita, Tony é uma das figuras mais importantes do elenco do Santa Cruz, especialmente pela qualidade na fase ofensiva. No lado esquerdo, o tempo de Renatinho era marcado por qualidade no ataque e a falta dela na defesa. Tiago Costa retornou e consertou os problemas da parte de trás, sem deixar a desejar na parte da frente.

Meio

O meio-campo do Santa Cruz é muito combativo. Mesmo faltando capacidade de criação em alguns momentos, os atletas compensam isto com muita disposição e correria na parte central do gramado. Há algo em comum entre Sandro Manoel, Bileu, Danilo Pires e Wescley: todos eles são rápidos e brigadores.

A sustentação começa com o primeiro volante, Sandro Manoel, que apesar das críticas da torcida, tem importância inegável na marcação coral. Danilo Pires, sempre aberto pela direita, consegue aliar a boa cobertura no corredor com as infiltrações de qualidade no ataque. Também na parte central, Wescley faz o mesmo. Marca muito, chega ao ataque, faz gols e dá passes. Um bom meio-campista, sem dúvida. Bileu é o menos destacável deste setor coral, mas é preciso ressaltar que o ex-volante do Sport também vem tendo boas atuações.

Ataque

Keno e Léo Gamalho são fundamentais para o Santa Cruz. O atacante de velocidade, dono do lado esquerdo coral, cumpre muito bem a missão de cobrir os avanços do adversário e, ao mesmo tempo, puxar contra-ataques em velocidade e criar jogadas de gol. Você pode discutir a qualidade de finalização de Keno, mas a sua função no time é muito clara, quase que indiscutível. Se o torcedor prestar atenção, a maioria das boas jogadas do ataque do Santa começam ou passam por Keno.

A missão de Léo Gamalho é mais transparente: fazer gols. E nisto o centroavante não decepciona. Artilheiro do Santa em todos os campeonatos do ano, com exceção apenas na Copa do Nordeste, Gamalho está em excelente temporada.