João Pessoa 23/04/2018 13:35Hs

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Rodrygo supera meta, ‘quebra gelo’ e vive sonho no Santos: “Ficha não caiu”

Rodrygo quebra meta e é titular do Santos aos 17 anos (Ivan Storti/SFC)

Rodrygo empilhava um gol atrás do outro no sub-17, mas não tinha a previsão de ser promovido ao elenco profissional do Santos no ano passado. Com a demissão do técnico Levir Culpi, a situação mudou. Um dos primeiros atos de Elano foi chamar a joia. E a partir de outubro, uma ascensão meteórica foi iniciada.

O atacante passou ao treinar ao lado dos principais jogadores do Peixe e estreou, ainda com 16 anos, em novembro. Ele entrou em campo nas partidas contra Atlético-MG e Avaí, na Vila Belmiro. E nesta temporada, já com Jair Ventura como treinador, o jovem se firmou e começou a corresponder à toda expectativa criada pelo talento demonstrado nas categorias de base.

Rodrygo, agora com 17 anos, é titular do alvinegro, e, cinco meses depois de receber a mensagem de Elano no whatsapp, sairá jogando contra o Estudiantes-ARG, em Quilmes, nesta quinta-feira, às 21h30, pela terceira rodada da fase de grupos da Libertadores da América.

A meta de Rodrygo era ganhar alguns minutos em campo em 2018. E o objetivo foi superado rapidamente. As boas atuações no segundo tempo dos jogos do Campeonato Paulista o credenciaram à vaga no time. Já são 14 atuações, com quatro gols marcados.

“Nunca pensei em ter 17 anos e jogar no profissional. Minha ficha não caiu. As coisas aconteceram muito rápido, mais do que eu imaginava. Todos estão vendo. Eu não esperava, mas tinha que estar preparado a todo momento. Eu estava quando fui chamado e por isso tem dado certo”, disse Rodrygo, em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva. 

“Temos que viver de metas e objetivos. Alcançar sempre. Cristiano Ronaldo e Messi são os dois melhores juntamente com Neymar, meu ídolo. Por nos espelharmos nele, temos que buscar objetivos. Eu queria jogar o máximo possível esse ano, não esperava que seria titular, com quatro gols. Agora estou preparado e buscando novos objetivos”, completou.

Rodrygo fez um golaço pelo Santos contra o Nacional (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Um desses novos objetivos é alcançar a massa muscular suficiente para enfrentar os zagueiros adversários, costumeiramente mais fortes. Rodrygo passa por trabalho especial com a comissão técnica e se vê perto de alcançar essa meta. Ele ainda não jogou uma partida inteira na temporada.

“Está sendo feito um trabalho. É normal sentir cãibra. Joguei 80 minutos pela última vez em Santos x Flamengo, pela Copa do Brasil sub-20. Estava desacostumado a jogar todo o tempo, estava mais entrando no final dos jogos. Agora estou fazendo esse trabalho para ter mais caixa e aguentar o jogo todo”, explicou.

“Tenho 17 anos, falam que a gente cresce até os 21. Venho sentindo diferença a cada dia, treino e jogo, em cada tranco. Às vezes pegamos uns zagueiros bem fortes e perdemos, mas isso está melhorando. Se com 17 anos falam que sou franzino e estou conseguindo passar, não tem motivo para ficar musculoso, grande. Não quero perder minha mobilidade. É o que eu tenho de bom. Não posso perder. Tenho que chegar numa certa força apenas para não sentir em campo”, emendou.

Além do condicionamento físico, Rodrygo tem ganhado confiança. A princípio, era mais difícil superar os rivais mais fortes. Agora, a situação mudou. E o golaço diante do Nacional-URU, no Pacaembu, quando o atacante fez fila antes de marcar, ajudou a quebrar esse gelo.

“Às vezes a gente fica meio assim, achando que vamos perder no corpo, mas sabemos que somos mais rápidos que o zagueiro. Quando pensar em colocar o corpo, já passamos. Foi assim contra o Nacional. Quando o zagueiro colocou o braço, eu já tinha passado. E aí não conta a força, e sim a velocidade. Por isso eu consegui fazer um belo gol. A cada dia fica mais fácil e eu fico mais forte. Essa diferença vai sumindo. Claro que um zagueiro sempre vai ser mais forte, mas aos poucos vai acabando. Eu vou ganhando mais confiança para ir para cima e fazer as jogadas”, afirmou.

Rodrygo marcou pela primeira vez contra a Ponte Preta (Ivan Storti/SFC)

Confira abaixo outros trechos da entrevista com Rodrygo:

Expectativa para enfrentar o Estudiantes

“A gente sempre imagina muita dificuldade, mas temos que pensar pelo lado positivo. Terá pressão, campo difícil, tradição, não será fácil, mas temos que estar tranquilos e concentrados para sair com um bom resultado de lá”.

Você é um ponta, mas que sabe finalizar bem. Isso é raro, não?

“Atacante tem que ser completo, não pode só driblar. As pessoas gostam, mas o mais importante é gol. Se não fizermos, vão perceber e reclamar. Eu jogava no centro na base também, fazia muitos gols. Sempre fui artilheiro de tudo. Por isso eu tenho feito gols no profissional”.

Testes como meia nas categorias de base

“Eu fiz muitos jogos de meia e de centroavante na base. Professor Luciano (Santos, do sub-17) me usava em diversas funções. Não foi nenhuma surpresa para mim (jogar como armador contra o Palmeiras), mesmo preferindo a ponta esquerda”.

Um meia para substituir o Lucas Lima faz muita falta?

“Temos jogadores de qualidade para essa função. Há jogos que não encaixa. Temos muita qualidade nesse grupo para essa posição. Não sinto falta, não”.

Por que você dribla menos do que na base?

“Isso vem com o tempo. Temos pegado jogos difíceis, importantes, e temos que ser sérios e focados. Todos meus dribles têm sido para frente. Tem que continuar assim, driblando, dando passes e fazendo gol, que é o mais importante”.

O que você já melhorou desde que foi promovido?

“A parte técnica”. Trabalhamos bastante na base, mas no profissional tem que usar a todo tempo. Às vezes é mais fácil sair de uma situação na base. Agora é contra profissionais mesmo, estão há mais tempo, e situações são complicadas. Fiz gol de cabeça no profissional, que não fazia tanto, fiz de esquerdas… Essas coisas vão evoluindo a cada dia”.

Gazeta Esportiva