João Pessoa 21/07/2018 11:56Hs

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Rogério Ceni está com futuro ameaçado no São Paulo

Ney Franco foi orientado por seus superiores a responder a Rogério Ceni, depois de São Paulo x LDU de Loja. A ordem teve o propósito de, pela primeira vez, posicionar um técnico do clube diante de mais uma tentativa do capitão de transcender suas funções. Quando Ney disse “Não aprovo. Cada um na sua.”, a mensagem era, também, da diretoria para a torcida e para todos os jogadores.

Não há absolutamente nenhum problema de relacionamento entre Rogério e o técnico do São Paulo. Ney Franco é uma figura querida no clube, desfruta de um bom ambiente para trabalhar. Reconhece no goleiro uma liderança sem precedentes, além da capacidade de observar jogos e sugerir alterações. Ambos costumam conversar sobre tática e sistemas, numa relação de liberdade e profissionalismo. O que houve na noite de quarta-feira foi um excesso de Rogério, resolvido pontualmente. Entre o jogador e o treinador, não há mais o que conversar. Entre o jogador e o clube, há muito.

A coluna apurou que o comando do São Paulo está dividido em relação à renovação do contrato do maior ídolo da história do clube. De cinco fontes consultadas, todas com acesso  ao presidente Juvenal Juvêncio, duas confirmaram ter conhecimento de conversas em que o assunto era o futuro da camisa 01. Ambas revelaram que há quem defenda abertamente que o atual vínculo entre Rogério e o São Paulo, com encerramento no final do ano, deve ser o último.

O tema foi discutido durante o período recente em que Rogério esteve em tratamento de uma lesão no ombro. A recuperação durou cerca de seis meses e gerou dúvidas a respeito das chances de o goleiro voltar a atuar em seu nível costumeiro. A ala que entende que outro nome deve defender o gol do São Paulo a partir de 2013 apostava num cenário em que o declínio técnico, somado às dores de estimação que acompanham a rotina de um jogador de quase 40 anos, forçaria Rogério a ponderar a aposentadoria.

Deu-se o contrário. Rogério tem se provado decisivo na reta final do Campeonato Brasileiro, momento em que o São Paulo tenta garantir ao menos uma vaga na fase preliminar da Copa Libertadores. E a perspectiva de voltar a disputar o torneio Sulamericano é exatamente o que estimula o capitão são-paulino a prolongar sua carreira. A indefinição influencia a discussão de um novo contrato, que já teve algumas reuniões.

A questão é esportiva e política. Está intimamente relacionada ao projeto de poder do presidente Juvenal Juvêncio, às correntes de opiniões dentro do Morumbi e à possibilidade de Rogério Ceni se converter em uma força nos bastidores do clube. O goleiro é ligado a Marco Aurélio Cunha, atualmente distanciado da diretoria por divergências com pessoas de confiança de Juvêncio, como o diretor de futebol Adalberto Batista. Há quem tenha visto mais do que uma simples diferença de ideologia quando Rogério manifestou apoio a José Serra nas eleições municipais, enquanto Juvêncio posicionou a instituição ao lado de Fernando Haddad.

Rogério Ceni é um ícone tricolor. No futebol brasileiro, não há outro jogador que personifique o distintivo como ele. Ídolos dessa magnitude deveriam ter o direito de determinar quando e como conduzirão o momento da despedida. No São Paulo, considera-se o impensável: negar-lhe um adeus nos próprios termos.

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