João Pessoa 16/08/2018 18:16Hs

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Acordo Mercosul-UE é “inaceitável”, diz ministro francês

Agricultores franceses protestam contra o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, na última quarta-feira.Reuters/Emmanuel Foudrot

Em uma entrevista concedida ao diário francês “Journal du Dimanche”, neste domingo (25), o ministro francês da Transição ecológica, Nicolas Hulot, declarou que o tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, é inaceitável.

Os criadores franceses estão preocupados com a importação de carne produzida com menos garantias sanitárias, lembra o ministro francês.

No ano passado, o escândalo no Brasil que culminou na “Operação Carne Fraca”, teve uma grande repercussão na Europa. O caso envolveu 21 frigoríficos brasileiros que pagavam propinas para inspetores, que liberavam alimentos impróprios para consumo e que eram inclusive exportados.

Segundo Hulot, os agricultores franceses também são submetidos a normas rígidas que envolvem esforços para preservar o meio-ambiente e criar menos poluição.

Para Hulot, essas obrigações não são cumpridas em outras partes do mundo, o que torna a concorrência entre os produtos desleal. Na última quarta-feira (21), o sindicato do setor organizou diversas manifestações contrárias ao acordo, em várias regiões da França.

Preços mais baixos

Em janeiro, a Federação dos Produtores Bovinos francesas também manifestou sua preocupação com o aumento das cotas de importação de carne bovina estabelecidas no tratado, que prevê a compra de até 70.000 toneladas do produto por ano, com isenção das taxas alfandegárias. O Mercosul, que já representa cerca de 3/4 da carne importada pelos países europeus, pede que a Uniao Europeia suba essa cota para 99.000 toneladas.

Em contrapartida, a União Europeia espera uma abertura do mercado latino aos automóveis, vinhos e laticínios do bloco. De acordo com as estimativas do Instituto de Pecuária, a importação da carne latino americana poderia baixar os preços em 10% na França, e entre 25 mil e 30 mil empregos no setor desapareceriam no país.

RFI