João Pessoa 18/08/2018 06:36Hs

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Angola: detenções e repressão de jovens activistas

repressão a ativistasEm Angola, a manifestação de solidariedade com activistas detidos degenerou. Várias pessoas foram detidas, entretanto libertadas, e inúmeros feridos segundo os manifestantes. Por seu lado, a polícia nega detenções, refere apenas que “recolheu” jovens por “tentarem alterar a ordem” na cidade.

 Forte aparato policial, contra-manifestação das estruturas juvenis do Movimento Popular de Libertação de Angola, venda de artesanato e música no Largo da Independência em Luanda, caravana motorizada de JMPLA. Foi assim que as autoridades angolanas pintaram o centro da capital, numa resposta antecipada à manifestação de activistas sob o lema “Chega de prisões arbitrárias e perseguições políticas em Angola”. Um protesto não autorizado pelo Governo Provincial de Luanda.

À hora marcada, os manifestantes do autodesignado Movimento Revolucionário tentaram avançar para o local combinado, a policia respondeu. As autoridades carregaram sobre os manifestantes, chegando mesmo a recorrer a equipas cinotécnicas. Os contestatários ao regime de José Eduardo dos Santos, colocaram-se em fuga pelas várias artérias da cidade.

Balanço: pelo menos duas dezenas de detidos, entretanto libertados, e inúmeros feridos, isto segundo os manifestantes. Por seu lado, a Polícia Nacional de Angola, citada pela agência Lusa, nega que tenha feito detenções durante a manifestação, apenas “recolheu” jovens, entretanto libertados, por “tentarem alterar a ordem” na cidade. A RFI em Português desde ontem que tenta entrar em contacto com as autoridades angolanas, mas até ao momento sem sucesso.

De relembrar que para ontem estava convocada uma “manifestação pacífica” de activistas sob o lema “Chega de prisões arbitrárias e perseguições políticas em Angola”. O protesto tinha como objectivo exigir a libertação de outros jovens detidos preventivamente desde 20 de Junho, suspeitos de prepararem um golpe de Estado e ainda de activistas de Cabinda detidos desde 14 de Março.

Odair Fernandes, conhecido por “Baixa do Cassanje”, activista do Movimento Revolucionário, foi um dos onze detidos ontem em Viana, arredores de Luanda, quando se preparava para manifestar na Praça 1° de Maio. Em entrevista à RFI em Português,relata o sucedido, afirma ter sido directamente ameaçado com armas, todavia refere que a polícia pediu desculpas pelo excesso de zelo.