João Pessoa 26/04/2018 13:34Hs

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Chefe de advocacia e militante curdo é assassinado na Turquia.

Rival do governo, presidente da Ordem dos Advogados de Diyabarkir foi morto em público.

advogado curdo assassinadoApoiadores curdos exibem cartazes após morte do advogado –

ISTAMBUL – O presidente da Ordem dos Advogados de Diyabarkir, principal região curda da Turquia, foi morto a tiros neste sábado durante uma entrevista coletiva à imprensa. Tahir Elçi foi pego no meio de um confronto entre a polícia e jovens combatentes próximos ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Um policial também morreu e outras dez pessoas ficaram feridas, incluindo um jornalista e dois agentes das forças de segurança.

Figura importante da causa curda, Elçi, 49 anos, sofreu um tiro no rosto. Não foi possível determinar se recebeu um tiro de um dos criminosos ou foi vítima de bala perdida. Uma testemunha citada pela agência Dogan afirmou que um homem com barba atirou contra Elçi, mas o depoimento não foi confirmado até o momento. A agência de notícias do governo Anatolia atribuiu o ataque a rebeldes curdos.

As autoridades anunciaram um toque de recolher no distrito, que foi logo violada por violentos protestos — somados a manifestações pela prisãoi de dois experientes jornalistas nesta semana, sob acusações de terrorismo.

O presidente Recep Tayyip Erdogan se declarou “triste com a morte de Elçi”, durante um discurso.

— Este incidente demonstra que está justificada nossa determinação de lutar contra o terrorismo. Seguiremos este combate até o fim. Não vamos parar, não vamos recuar.

Advogado de prestígio, Elçi havia sido processado por ter afirmado que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que iniciou uma rebelião armada em 1984, não era uma organização terrorista. Foi detido em 20 de outubro e acusado por “apologia do terrorismo por meio da imprensa” por um tribunal de Istambul, que determinou que ele ficasse em liberdade sob vigilância. Ele poderia ser condenado a uma pena de 18 meses a até sete anos de prisão.

Em julho, combates entre forças de segurança turcas e guerrilheiros curdos turcos reiniciaram, depois de dois anos de cessar-fogo. O país havia anunciado o aumento de suas operações contra o Estado Islâmico, mas é acusado de usar o combate como fachada para massacrar os curdos.

O Globo