João Pessoa 27/05/2018 12:02Hs

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Colisão entre trem e ônibus escolar sob investigação na França; alunos voltam à escola em luto

O acidente aconteceu em uma passagem de nível às 13h00 de Brasília, em Millas, na região dos Pirineus Orientais, no sudoeste, perto da fronteira com a Espanha.Captura de vídeo

A ministra dos Transportes da França, Elisabeth Borne, pediu “cautela” na avaliação das circunstâncias em torno do trágico acidente entre um ônibus escolar e um trem em Millas (sudoeste), principalmente sobre o fechamento ou não das cancelas automáticas no momento da tragédia. Seis adolescentes foram mortos e há 20 feridos – sendo dez em estado grave – em razão da colisão ocorrida na quinta-feira (14).

“Não vamos comentar sobre a posição das barreiras”, pediu a ministra dos Transportes na rádio Europa 1. “Este é o momento da investigação legal e administrativa”. “Devemos a verdade às famílias” e “nós devemos aprender todas as lições dessa tragédia”, disse ela.

A ministra dos Transportes declarou que esta travessia não estava na lista de cruzamentos de nível relatados como perigosos, em geral, “todas as inovações estão sendo estudadas para proporcionar mais segurança nos cruzamentos de nível”, afirmou Borne.

“Estamos testando a detecção de obstáculos (na pista) que poderiam parar o trem”, disse a ministra, que também falou sobre os radares que alertam os motoristas que chegam a uma travessia ferroviária.

“Em 98% dos casos, os acidentes na travessia estão relacionados ao comportamento dos motoristas, é por isso que temos uma campanha de conscientização para dizer às pessoas que prestem atenção, que respeitem os sinais”, ela acrescentou.

 O choque extremamente violento cortou ao meio o ônibus escolar. A motorista do ônibus, ferida, ainda não podia ser ouvida sobre as circunstâncias do acidente.

O condutor do trem que colidiu com o ônibus escolar nos Pirineus-Orientais foi ouvido quinta-feira à noite pelos investigadores, disse o promotor de Perpignan, Jean-Jacques Fagni. Outras audições estão em andamento.

Três passageiros no trem também ficaram feridos. O acidente ocorreu às 16h10 (hora local) no cruzamento nivelado no eixo Perpignan-Villefranche de Conflent, localizado em Millas (sudoeste da França).

A colisão é um dos acidentes mais sérios no transporte de crianças desde o desastre de Beaune em 1982 (53 mortos, incluindo 44 crianças).

Escola reabriu em luto hoje

O colégio reabriu nesta sexta-feira (15) pela manhã para permitir que os estudantes começassem seu trabalho de luto.

De bicicleta, de patinete ou de ônibus – como o que foi atingido pelo trem –, os estudantes chegaram, como todos os todos os dias, em torno das 8h à escola. Alguns vieram acompanhados por seus pais.

Os professores haviam chegado às 7h para estar preparados para receber adolescentes, graças a uma unidade médico-psicológica de cerca de 60 pessoas de toda a região e composta por psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais.

“Hoje,  assim que eu abri meus olhos, pensei nisso, chorei esta manhã. Fui dormir às duas ou três horas da madrugada, eu estava vendo as notícias e não conseguia dormir “, diz a estudante Lilou.

“Estou aqui porque eu quero ser forte por eles”, acrescenta Lilou, uma estudante do quinto ano (equivalente à sexta série no Brasil), cujo melhor amigo ficou ligeiramente ferido no acidente, ainda se encontra em estado de choque, em lágrimas, nos braços da mãe.

“Eu não tenho palavras, não sei o que dizer, penso nas famílias, em todas essas crianças, é muito difícil”, diz a mãe de Lilou, Sabrina Mesas, à beira das lágrimas.

“O clima hoje é de incompreensão total, é importante que eles estejam juntos, que eles possam conversar, colocar em palavras o ocorrido”, disse ela.

Detectar pessoas frágeis

Este é o propósito da reunião: começar o trabalho de luto, não deixar as crianças sozinhas face à tragédia, “também detectar pessoas muito frágeis”, diz o Dr. Abdelkader Taoui, um médico do ministério da Educação e membro da equipe de ajuda. “Tranquilizar, ouvir, acompanhar, é importante”, diz ele.

Este papel é também dos professores, que estão tão chocados com o acidente e às vezes se mostram desamparados ao falar aos alunos.

“Eu nem sei como vou me controlar, estou tentando segurar e veremos”, diz Jordi Sales, professora de escola catalã e espanhola. “Isso afetará todos, não apenas os estudantes, toda a comunidade educacional vai ser afetada”.

“Deixem os alunos falarem, que digam hoje o que eles querem dizer: sabemos que esses momentos são importantes”, declarou a coordenadora educacional da região, Armande Le Pellec Muller.

Noticiário Francês