João Pessoa 24/06/2018 14:37Hs

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Eleições no Burundi em clima de violência

burundiNo Burundi cerca de 3,8 milhões de eleitores são chamados às urnas nesta terça-feira para votar nas eleições presidências que estão a ser boicotadas pelos principais partidos de oposição. Durante a noite ouviram-se tiros e explosões, duas pessoas morreram, violência que se voltou a repetir durante a abertura das mesas de voto.

Depois de meses de contestação e de pedidos da Comunidade Internacional para o adiamento da eleição presidencial, as assembleias de voto abriram esta terça-feira sob forte tensão. Durante a noite ouviram-se várias explosões na capital, duas pessoas morreram. Um polícia foi morto depois da explosão de uma granada e um civil foi abatido em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas. Violência que se voltou a repetir horas antes da abertura das mesas de voto.

Em declarações à agência AFP, o principal conselheiro de comunicação do chefe de Estado, Willy Nyamitwe, denunciou “actos de terrorismo que visam “intimidar os eleitores”. O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon pediu às autoridades burundesas de tudo fazerem para garantir a segurança da eleição presidencial.

Oposição boicota eleição

Depois da larga vitória conquistada pelo partido no poder -CNDD-FDD- nas legislativas e autárquicas do dia 29 de Junho, escrutínio que foi boicotada pela oposição, a vitória de presidente Pierre Nkurunziza, segundo os observadores, está mais do que assegurada. Ontem três candidatos retiraram-se da corrida alegando que não havia qualquer possibilidade de pluralismo neste escrutínio.

A Comunidade Internacional, os parceiros ocidentais e a União Africana estimam que o clima político e a segurança actual não irão permitir um processo eleitoral credível. Desde o início do mês de Abril que as manifestações são brutalmente reprimidas no país, a comunicação social privada está reduzida ao silêncio, os opositores deixaram o país. O clima é de intimidação generalizada, nomeadamente pela acção dos jovens do partido no poder, os Imbonerakure, qualificados de “milícia” pela ONU.