João Pessoa 22/06/2018 22:27Hs

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Erdogan antecipa eleições para reforçar poder presidencial na Turquia

O presidente turco Recep Erdogan durante pronunciamento em Ancara, em 18 de abril de 2018.Murat Cetinmuhurdar/Presidential Palace/Handout via REUTERS

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan anunciou nesta quarta-feira (18) a realização de eleições presidenciais e legislativas antecipadas em 24 de junho, um ano e meio mais cedo do que previsto, nas quais deverá brigar por um novo mandato. O objetivo é o aumento das prerrogativas presidenciais, adotadas por meio de referendo constitucional, em abril de 2017. Ele deve brigar por um novo mandato.

 “Decidimos organizar essas eleições no domingo 24 de junho de 2018”, declarou Erdoganapós uma reunião “muito produtiva” com o líder do partido ultranacionalista MHP, Devlet Bahçeli, que solicitou na terça-feira (17) as eleições antecipadas.

A decisão surpreendeu muitos observadores da comunidade internacional. Líderes turcos, incluindo Erdogan, negaram em diversas ocasiões, nas últimas semanas, os “boatos” de eleições antecipadas. O pleito será crucial porque marcará a entrada em vigor da maioria das medidas reforçando as prerrogativas do chefe de Estado.

A revisão constitucional permite a Erdogan, de 64 anos, brigar por dois outros mandatos presidenciais de cinco anos. O homem forte da Turquia está no poder desde 2003, primeiro como chefe do governo, depois como presidente.

Justificativa de Erdogan é gestão de crise na Síria

 Erdogan justificou esta decisão pela necessidade, segundo ele, de passar rapidamente para o sistema presidencial, a fim de enfrentar a “aceleração dos desenvolvimentos na Síria” e a necessidade de adotar rapidamente “decisões importantes” sobre a economia.

“O Alto Comitê Eleitoral vai começar imediatamente os preparativos para esta eleição”, indicou o presidente turco durante declaração em Ancara, na presença de membros de sua formação política, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). Neste momento, a Turquia conduz uma ofensiva contra uma milícia curda na Síria. Além disso, o país vive uma situação econômica delicada, apesar do crescimento.

Segundo o calendário inicial, as eleições deveriam acontecer simultaneamente em 3 de novembro de 2019. Vários observadores suspeitavam da decisão de Erdogan de adiantar o pleito para capitalizar sobre a ofensiva na Síria e reduzir os riscos de ir às urnas com uma situação econômica ainda mais complicada.

O anúncio de Erdogan ocorre exatamente um ano após o referendo constitucional realizado em 16 de abril de 2017 e vencido pelo presidente turco, com pouca margem. Após a consulta, o chefe de Estado lançou um grande processo de limpeza dentro do seu partido. Os prefeitos de Istambul e Ancara, duas cidades que votaram ‘Não’ ao referendo, foram substituídos.