João Pessoa 25/05/2018 05:04Hs

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Jihadistas do grupo EI tiraram esperança de iraquianos no futuro

jihadista do grupo elEm um semestre de tragédia, a primeira grande comemoração no Iraque: os curdos retomaram o Monte Sinjar, no nordeste do país. Apesar da retirada dos militantes do Grupo Estado Islâmico deste importante e estratégico local, a área ainda está longe de ser segura para o retorno dos moradores.

Richard Furst, especial do Iraque para RFI Brasil

Pelo menos desta vez, é a combinação das duas frentes –  a coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos,e os soldados curdos – que conseguiu reduzir a presença dos extremistas no Monte Sinjar, um reduto chave no norte do Iraque. Agora há um pequeno corredor onde a ajuda humanitária de extrema urgência chega às pessoas que estavam nas mãos dos extremistas.

As tropas curdas conseguiram entrar na cidade de Sinjar, localizada a 120 quilômetros a oeste de Mossul, no Iraque, após três dias de duros enfrentamentos com os militantes jihadistas.

Mohi-edin al Mazuri, o dirigente do PDK, o Partido Democrático do Curdistão iraquiano, disse que os peshmergas, como são conhecidos os militares curdos, realizaram a ofensiva com tanques e artilharia pesada, enquanto os aviões de combate da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, davam cobertura aérea bombardeando alvos e esconderijos do EI.

Em 50 ataques aéreos liderados pelos norte-americanos, milhares de soldados curdos alcançaram a região por terra. É nesta área onde milhares de integrantes da comunidade Yazidi (uma minoria étnica local) ao lado de outros iraquianos estavam deslocados e presos desde agosto.

Quatro dos ataques no Iraque, perto de Sinjar, no norte do país, destruíram edifícios usados pelos extremistas além de unidades táticas e veículos. Outras cidades iraquianas que foram alvo de ataques incluem Tal Afar, Ramadi, Mosul e Baiji. Na Síria, os combates foram em torno da cidade de Kobani perto da fronteira turca.

População sem esperança

As pessoas ainda estão celebrando muito a retomada do Monte Sinjar, mas a esperança ainda é pequena frente a todo o caos. Nos dias em que eu estive no Iraque, por exemplo, encontrei o estudante de medicina, Devar Nazar Sher. Eu conversei com o jovem iraquiano quando ele estava ajudando os refugiados em um centro esportivo chamado Brasileiro: “Aqui não temos esperança e não vemos o futuro. Muitas pessoas estão fugindo do país rumo à Europa, por exemplo, ou tentando de todas as formas deixar esta tristeza. Eu também penso em sair, talvez quando eu terminar os meus estudos. O medo é como e de que maneira vamos sobreviver aqui. Os extremistas perderam a noção, fazendo atrocidades jamais imaginadas como sequestros de crianças e estupros de meninas. Nenhum ser humano com plena consciência consegue fazer isso”, desabafa o futuro médico iraquiano.

A informação da retomada do Sinjar pelos curdos iraquianos chega também dias após o maior oficial do Pentágono afirmar ter disparado ataques aéreos que mataram vários líderes de alta patente no grupo jihadista Estado Islâmico.

Em meio a insegurança generalizada, a notícia ameniza um pouco o sofrimento do Iraque envolvido em um caos por todos os lados.

Enfraquecimento

A morte de líderes importantes, a coalizão internacional com atividades sólidas e a força dos combates com os curdos também têm assustado os radicais do EI. A confirmação da prisão de uma das mulheres e um de um filho do grande chefe do grupo, a auto-proclamado Califa Ibrahim, também causou um enfraquecimento. Os parentes dele estão detidos no Líbano.

Há também o envolvimento de outras forças, como o exército sírio, contra os extremistas do grupo Estado Islâmico. No mais recente registro, 20 jihadistas morreram na segunda tentativa, em um mês, de tomar a base aérea militar de Deir Ezzor, no leste da Síria. Eles foram mortos em combate durante a troca de tiros na importante base, um dos últimos postos do regime de Bashar Al-Assad nessa província do leste.

Em junho, os radicais tomaram Mossul e estavam decididos a seguir rumo à capital Bagdá. Agora, seis meses depois, o Sinjar é retomado, o que mostra, em parte, o enfraquecimento dos jihadistas.

Não há como separar qual momento é o mais triste ou de maior intensidade de sofrimento. Porém, durante a expansão do grupo Estado Islâmico, a tomada do Monte Sinjar e região foi tão sangrenta e assustadora como a posse da segunda maior cidade iraquiana, Mossul, esta ainda sob poder dos jihadistas.

É desta região que vêm as centenas de órfãos, garotas e mulheres usadas como escravas até a morte pelos radicais.