João Pessoa 22/09/2017 02:54Hs

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Mais de 98% dos eleitores rejeitam proposta de Maduro em plebiscito, diz oposição

O resultados da consulta popular informal realizada neste domingo (16) na Venezuela mostram que 98,4% dos participantes (6.387.854 pessoas) que votaram rejeitam a formação da Assembleia Nacional Constituinte promovida pelo presidente, Nicolás Maduro, para mudar a Constituição. A informação é do reitor da Universidade Pedagógica Experimental Libertador (UPEL), Raúl López.

Cerca de 95% das urnas foram apuradas. Um total de 7.186.170 venezuelanos participaram da votação. De todos os votos, 6.492.381 foram no país e 693.789 no exterior. Foram cerca de 2 mil urnas com zonas eleitorais improvisadas em mais de 80 países.

Os eleitores responderam a três perguntas: se rejeitam a assembleia constitucional, se eles querem que as forças armadas defendam a constituição existente e se querem a realização de eleições antes do mandato de Maduro, segundo a Reuters.

A oposição exige que Maduro convoque eleições presidenciais antes do fim de seu mandato. O chavista convocou para 30 de julho a eleição dos 545 membros da Assembleia Constituinte, que poderá reescrever a Constituição e dissolver as instituições do Estado. Segundo o instituto de pesquisa Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte.

Nas últimas eleições, as parlamentares de 2015, 7,7 milhões de pessoas votaram na oposição e permitiram que ela rompesse a supremacia chavista no Congresso.

Maduro considera o plebiscito ilegal e defende que apenas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pode realizar processos desse tipo. Em paralelo, o CNE fez neste domingo uma simulação da votação da Constituinte.

Reações

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, disse que o fato de que a oposição tenha conseguido quase sete milhões de votos a favor da sua proposta no plebiscito contra o governo deixa o presidente do país, Nicolás Maduro, praticamente “revogado”.

“Com os votos do povo venezuelano matematicamente Nicolás Maduro está revogado no dia de hoje, esse era o medo que tinha do plebiscito revogatório e por isso se impediu, por isso o Governo não quer fazer eleições nunca mais”, disse Borges após conhecer os resultados eleitorais.

“No entanto, o povo superou todos os obstáculos, não somente o de haver menos lugares para votar, mas também superou o medo, superou a violência, superou as ameaças do Governo aos funcionários públicos, às pessoas que recebem programas sociais”, prosseguiu Borges.

O plebiscito informal foi marcado pela violência e terminou com a morte de duas pessoas. Segundo fontes da oposição, o ataque foi realizado por grupos paramilitares governistas em Catia, subúrbio ocidental da capital venezuelana Caracas, onde milhares de pessoas participavam do evento da oposição.

O Ministério Público venezuelano confirmou a morte de uma pessoa. No Twitter, a procuradoria afirmou que investiga a morte e os feridos causados pela “situação irregular”.

A vítima foi identificada como a enfermeira Xiomara Scott, de 61 anos. Segundo o chefe da campanha que organizou o plebiscito, Carlos Ocariz, grupos pró-governo atacaram o lugar com tiros e bombas de gás lacrimogêneo. Mais de 300 pessoas se protegeram de confusão dentro da igreja de El Carmen.

O país enfrenta uma série de protestos nos últimos quatro meses, que resultaram na morte de quase 100 pessoas desde então.

G1