João Pessoa 25/06/2018 06:24Hs

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Novo presidente português toma posse e incertezas políticas continuam

presidente portuguêsAs incertezas políticas que perduram há meses em Portugal vão entrar numa nova fase com a posse, nesta quarta-feira (9), do novo presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa. Ele provém da direita portuguesa e vai comandar o país ao lado de um primeiro-ministro de esquerda, o socialista António Costa.

O chefe de governo se aliou aos comunistas e ao Bloco de Esquerda, mas ainda assim não conseguiu reunir a maioria do parlamento, como aconteceu na legislatura anterior.

Conforme permite a legislação portuguesa, o novo presidente poderá, dentro de um mês, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, caso avalie como necessário. No entanto, logo após vencer o pleito, em 24 de janeiro, Rebelo de Sousa declarou que sua prioridade seria “reforçar a estabilidade política e os acordos necessários para governar” e que o momento não era propício para divisões.

No entanto, especialistas políticos duvidam que Costa irá conseguir terminar seus quatro anos de mandato. Eles acreditam que o primeiro-ministro de esquerda terá dificuldades de manter seus compromissos relativos à redução do déficit orçamentário face à vontade de seus aliados no parlamento em acabar com a austeridade. Em caso de ruptura entre os socialistas e a extrema-esquerda, Rebelo de Sousa terá o cenário propício para convocar novas eleições.

Turbulência econômica
Portugal, que obteve um resgate financeiro em 2011, atravessa atualmente uma nova fase de turbulência econômica: o desemprego, que estava em queda desde 2013, está novamente em ascensão e os investimentos no país caíram no quarto trimestre de 2015.

No início do mês, a agência Fitch revisou para baixo a nota soberana de Portugal que passou de “positiva” para “estável”. Além disso, os rendimentos dos empréstimos portugueses, a taxa de juros que o país aplica no financiamento de sua divida pública, estão aumentando desde o início do ano.

É dentro deste contexto que o primeiro-ministro português deverá disponibilizar cerca de € 1 bilhão de euros provenientes das economias suplementares do país para poder continuar no enquadramento negociado com Bruxelas.

“É muito difícil de colocar em prática aquilo que Bruxelas quer quando nossos parceiros se opõem fundamentalmente à consolidação orçamentária”, sublinha António Barroso, da consultoria Teneo Intelligence.

Noticiário Francês