João Pessoa 21/07/2018 13:34Hs

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O complicado resgate dos meninos em uma caverna da Tailândia, que pode demorar meses

Inundação na gruta devido às monções complica a retirada do grupo. Equipes de resgate tentam drenar a caverna e ensinar os adolescentes a mergulhar

Não serão fáceis as tarefas de resgate dos 12 garotos tailandeses e do seu treinador encontrados na segunda-feira, após 10 dias presos numa cavernaalagada no norte desse país asiático. Já ficou para trás a euforia inicial do primeiro momento, quando dois mergulhadores de apoio britânicos conseguiram achá-los — famintos, mas vivos — 400 metros à frente do ponto onde supunha-se que estivessem. Agora as equipes de salvamento enfrentam a delicada tarefa de tirá-los do bolsão de ar onde se encontram. Isso pode ocorrer após a drenagem de túneis sinuosos e quilométricos — um trabalho que pode levar semanas ou mesmo meses — ou treinando o grupo para mergulhar em condições muito perigosas: na escuridão, por passagens estreitas e em águas cheias de barro, uma tarefa difícil mesmo para submarinistas experientes.

Nas primeiras horas, as tarefas de socorro centraram-se em oferecer comida aos garotos—receberam tubos de gel energético—, primeiros socorros e companhia. Nesta tarde, pela primeira vez, seus pais poderão falar com eles por telefone. “Vamos conectar uma linha telefônica com os pais a partir da base de cadetes da Marinha”, instalada no interior da caverna, disse o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn.

Mesmo essa providência exigirá um enorme esforço. O comandante da Marinha tailandesa, Naris Pratoomsuwan, disse à imprensa que são necessárias três horas para chegar da base instalada por seus homens dentro da gruta até a ilhota onde os garotos encontram-se, a quatro quilômetros da entrada. “Exige tempo”, salientou ele em entrevista ao site noticioso tailandês Khaosod.

As equipes de resgate, compostas por até 1.300 pessoas, disseram que continuarão drenando os túneis para tentar reduzir o nível da água. Mesmo isso é um desafio gigantesco, pois a profundidade chega aos cinco metros em alguns pontos, e a temporada de chuvas continuará até outubro.

As equipes de salvamento terão de drenar túneis sinuosos e quilométricos, ou ensinar o grupo a mergulhar em condições muito perigosas: na escuridão, por passagens estreitas e em águas barrentas

O governador do Chiang Rai não quis especular sobre quanto tempo o resgate vai demorar, ou como se dará. Mas alertou que não será algo imediato. “Se me perguntarem agora mesmo, no momento em que avaliamos todos os aspectos, não me parece que poderão voltar tão cedo para casa”, afirmou Narongsak.

Exército tailandês informou que os jovens receberão alimentos suficientes para quatro meses de subsistência, até o final da temporada das monções. Também aprenderão a mergulhar, a única maneira de poderem voltar a ver a luz em um prazo relativamente curto.

“Chegamos até lá, em hipótese alguma vamos perdê-los ao retirá-los”, prometeu Narongsak à imprensa. “Conseguimos algo histórico. Conseguimos o que em princípio achávamos que era uma missão impossível. Mas só concluímos um dos objetivos, que era localizá-los. Agora começa o resgate”, acrescentou, depois de esclarecer que nenhum dos garotos sofre problemas sérios de saúde, mas que alguns apresentam ferimentos de pouca gravidade.

A profundidade das águas chega aos cinco metros em alguns pontos, e a temporada de chuvas continuará até outubro

Um vídeo de cinco minutos dos cadetes navais que participam da operação mostrou os primeiros momentos em que os mergulhadores tomam contato com os meninos. Vestidos com o uniforme vermelho e azul do seu time, magros, mas felizes por terem sido encontrados, eles agradecem aos dois especialistas britânicos por encontrá-los e informam que estão todos vivos: “Somos 13”.

Depois de 10 dias em completa escuridão, os menores tinham perdido a noção do tempo. “Hoje é segunda-feira. Vocês estão aqui há 10 dias, são muito fortes”, disseram-lhes os dois britânicos, antes de revelar-lhes que ainda não poderão sair. “Vocês precisam mergulhar.”

El País