João Pessoa 19/06/2018 08:21Hs

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PodcastAno Novo em Paris: ausência de fogos de artifício é compensada por festas pagas

Multidão aguarda a virada do ano na avenida Champs Elysées em dezembro de 2016.Lionel BONAVENTURE / AFP

Paris tem a fama de não ter uma festa de Ano Novo animada em comparação a outras capitais europeias, como Londres e Berlim. É verdade que a capital francesa não oferece um espetáculo de fogos de artifício, mas essa falha é compensada por festas em casas noturnas.

O que fez a fama de capital sem graça para o Ano Novo é o fato de Paris não oferecer um grande espetáculo de fogos de artifício num ponto turístico da cidade, como fazem todo ano Londres e Berlim, por exemplo. As autoridades justificam a ausência de fogos por questões de segurança.

Nos anos 90, surgiu um ritual nos bairros da periferia de queimar carros na noite do Ano Novo, em protesto às políticas do Estado e discriminações em relação aos imigrantes e seus descendentes. Desde então, a venda de fogos de artifício foi proibida. Os carros continuam sendo queimados, mas de maneira controlada.

Quem quiser ver um belo espetáculo de fogos de artifício na França deve visitar o país no dia 14 de julho, o dia da festa nacional, onde praticamente todas as cidades francesas soltam rojão.

Confraternização na avenida Champs Elysées

Como acontece todo ano, milhares de pessoas, parisienses e turistas, vão se reunir na avenida Champs Elysées, um cartão-postal da cidade, para aguardar a contagem regressiva projetada no Arco do Triunfo. A prefeitura encontrou um jeito criativo de substituir a queima de fogos por um espetáculo de iluminação do monumento, com canhões de lazer que desenham imagens no céu e no Arco. Tudo acompanhado de música e narração para animar a multidão.

Dependendo do ano, e isso é sempre uma surpresa guardada a sete chaves pelas autoridades municipais, alguns fogos de artifício são lançados de forma simbólica, só para marcar a virada. Tem gente que gosta de ir à Champs Elysées, outras pessoas consideram desagradável por conta de gente que bebe demais e do assédio às mulheres. É uma experiência particular.

Depois da meia-noite, as pessoas deixam a região da Champs Elysées e andam pela cidade ou vão às dezenas de baladas de Réveillon. Vale lembrar que o transporte público é gratuito das 17h do dia 31 até o meio-dia do dia 1° de janeiro.

Funk brasileiro nas pistas

Com o frio nas ruas, a melhor opção é dançar em casas noturnas e baladas produzidas especialmente para o Ano Novo.

O funk brasileiro está na moda em Paris, e festa brasileira tem fama de ser animada. No bar, restaurante e casa noturna chamado Bellevilloise, no 20° distrito de Paris, por exemplo, uma das salas vai tocar funk e MPB a noite inteira. Nas pistas, os franceses ouvem Anitta (Sua Cara), MC Kevinho (Olha a Explosão), MC Fioti (Bum Bum Tam Tam) e outros funkeiros de sucesso no Brasil, além de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil e outros nomes da MPB.­

A Ópera Garnier, um dos principais monumentos turísticos da cidade, promoverá uma noite excepcional para 800 pessoas. Por 120 euros, será possível desfrutar de uma ceia à base de foie gras, vieira e sobremesa de chocolate. Na ala leste da ópera, haverá uma pista de dança com saída para um terraço exterior aquecido, também dançante. Quanto à música, hits para todos os gostos: de Diana Ross a Bruno Mars, Donna Summer, Beyonce, Jay Z, Rihanna, James Brown.

Outra balada boa vai acontecer no club Nuba, instalado no teto da Cidade da Moda e do Design, no 13° distrito de Paris. Ali também, pistas cobertas e externas, todas aquecidas, vão reproduzir a paisagem de uma estação de esqui. Cerca de 1.100 pessoas vão dançar ao ar livre sob neve artificial, produzida por canhões, que vão deixar tudo branquinho, num ambiente mágico à espera de 2018.

Um baile de máscaras – um clássico do Réveillon – vai acontecer na casa noturna Palais Maillot, no 17° distrito da capital. Além desses locais, haverá Réveillon animado no Palais de Tokyo, no Aquarium de Paris, nos bateaux mouches do rio Sena e em dezenas, senão centenas, de bares e casas noturnas.

Paris não é tão desanimada assim no Ano Novo. Só é preciso reservar os ingressos com um pouco de antecedência. Quem ficar sem ingresso poderá andar pelas ruas da cidade, admirar a iluminação e conversar com as milhares de pessoas que vão estar na mesma situação, com uma garrafa de champagne na mão.

Ceia do Réveillon

Ostras, salmão defumado e foie gras, o fígado gordo do pato, são as entradas típicas do jantar de 31 de dezembro, acompanhadas do respectivo vinho que realça o sabor dessas especialidades. No caso das ostras, pode ser um vinho Muscadet ou Sancerre. Um Sauternes, mais doce, vai bem com o foie gras.

Depois, como prato principal, a escolha é ampla: aves como pato, peru e o chapon, um tipo de galo que é castrado para ficar com a carne mais macia e só aparece no comércio nesta época do ano. Os frutos do mar como a vieira e outros crustáceos, a lagosta e o salmão são pratos típicos à mesa dos franceses durante as festas. A sobremesa clássica é a “bûche”, um bolo amanteigado em forma de lenha, que pode ser de frutas tropicais, chocolate ou castanhas. Tudo acompanhado por champagne e vinho, em cada etapa.

Superstição de Ano Novo

Os franceses não são supersticiosos de um modo geral. Por exemplo, as mulheres deixam a bolsa no chão sem o menor receio de perder dinheiro. Em relação às superstições típicas de Ano Novo, o banho de mar gelado no 1° dia do ano é praticado em algumas regiões litorâneas do norte, oeste e sul da França.

Há uma superstição ligada a uma planta que dá frutos nesta época, o “gui”. Quem quer casar naquele ano deve beijar o namorado ou a namorada embaixo dessa árvore.

Um costume curioso é que não se deve desejar Feliz Ano Novo antes da meia-noite. Só depois da virada e durante todo o mês de janeiro as pessoas se cumprimentam com a expressão “bonne année”. É um ritual. Se você não fala, passa por mal-educado.

Usar lingerie de uma cor especial – no caso dos europeus, o vermelho, crença que vem da Itália – e comer lentilha para atrair dinheiro são superstições atribuídas a outros povos. O que se faz muito é anunciar decisões do tipo: “vou fazer mais esporte”, “parar de fumar”, “estressar menos”, mas não existe uma superstição francesa típica para começar o ano com o pé direito.

Noticiário Francês