João Pessoa 26/05/2018 17:51Hs

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Polícia usa bombas de gás para dispersar atos contra o governo na Venezuela

Os manifestantes protestavam contra o governo de Nicolás Maduro e a escassez de alimentos e remédios no país

polícia venezuelana 1Guarda Nacional Bolivariana impede manifestantes de se aproximarem do Palácio de Miraflores, sede da Presidência da Venezuela

Soldados e policiais usaram bombas de gás para dispersar nesta quinta-feira, em Caracas, vários grupos de manifestantes que tentavam se aproximar do Palácio Miraflores, sede do governo da Venezuela, para protestar contra o governo de Nicolás Maduro e a escassez de alimentos e remédios no país.

“Vai cair, vai cair, este governo vai cair”, repetiam alguns manifestantes a quatro quarteirões do Palácio, desafiando centenas de homens da Polícia Nacional e da militarizada Guarda Nacional Civil Bolivariana, que cercavam o protesto em vários pontos. Moradores de bairros próximos bloquearam uma avenida estratégica e ruas vizinhas, virando latas de lixo, e tentavam chegar ao Palácio, mas foram repelidos pelos efetivos de segurança e grupos de simpatizantes do governo, que repetiam o lema: “a rua se respeita”.

“Estou protestando porque já estamos cansados de não conseguir produtos e das filas”, disse Francis Marcano, estudante de 21 anos, com uma pedra na mão. No meio da tarde, os distúrbios já estavam controlados, o tráfego começava a se restabelecer, mas as lojas permaneciam fechadas, diante do temor de novos confrontos.

 

Um grupo de jornalistas do jornal El Universal e de outros quatros veículos locais sofreram agressões físicas e verbais, e tiveram o equipamento levado pela polícia e por grupos simpatizantes do governo. Vários jornalistas atacados foram ao Ministério Público – que tem sede a uma quadra do local dos distúrbios – apresentar queixa.

Atingida pela queda dos preços do petróleo, a Venezuela sofre com uma profunda crise política, institucional, social e econômica, com grave escassez de alimentos e medicamentos, e uma inflação – a mais alta do mundo – de 180,9% em 2015, projetada pelo FMI para 700% em 2016. Longas filas, vigiadas pela polícia militar, se formam todos os dias nos supermercados para a compra de alimentos subsidiados. Em vários estabelecimentos de Caracas e outras cidades ocorreram saques e protestos nas últimas semanas.

Referendo – A oposição venezuelana responsabiliza o governo de Maduro pela situação crítica e impulsiona um referendo revogatório do mandato presidencial. Uma reunião entre a oposição e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) marcada para esta quinta-feira, na qual se esperava conseguir o aval das autoridades eleitorais para avançar no caminho para o referendo, foi cancelada.

“Vamos anunciar ao país os passos que daremos diante dessa insólita situação. Pedimos ao povo que tenha calma e serenidade, para estar à altura dessa situação extremamente complexa”, declarou o porta-voz da Mesa da Unidade Democrática (MUD, de oposição), Jesús Torrealba, ao convocar uma reunião de emergência da coalizão após o cancelamento.

(Com AFP)