João Pessoa 23/06/2018 14:11Hs

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Premiados em Berlim, cineastas brasileiros criticam Temer

Karim Aïnouz venceu o prêmio concedido pela Anistia Internacional com filme sobre refugiados

Brasil saiu bastante premiado na atual edição do Festival de Berlim, levando alguns dos principais prêmios dos júris independentes da mostra. Em uníssono, todos os diretores brasileiros premiados aproveitaram a ocasião, na manhã deste sábado (24), para tecer críticas a Temer e à situação política.

O documentário “Aeroporto Central”, do cearense Karim Aïnouz, venceu o prêmio concedido pela Anistia Internacional como melhor filme do Festival de Berlim a abordar o tema dos direitos humanos. A obra acompanha a rotina de refugiados abrigados num aeroporto desativado no centro da capital alemã.

Ladeado por dois dos refugiados mostrados no longa, Aïnouz aceitou o prêmio dizendo que “muito embora tratasse da Síria”, ele se sentia na obrigação de “falar do Brasil”.

O diretor leu um texto curto dizendo atacando o “golpe legislativo contra a primeira mulher eleita presidente”, o “Judiciário que condena sem provas” e o “maior ataque aos direitos trabalhistas”. “Isso provocou o aumento da violência e da miséria no nosso país”, disse Aïnouz.

A equipe do filme gaúcho “Tinta Bruta” também aproveitou a premiação para protestar. “Espero que em breve a nossa democracia seja restabelecida”, disse Marcio Reolon, um dos dois diretores da obra, que levou o prêmio Cinema de Arte do Cicae, confederação que reúne exibidores de filmes artísticos.

“Tinta Bruta” fala de um jovem que se pinta com tinta fluorescente no escuro de seu quarto e dança pintado para anônimos da internet. O ator principal do filme, Shico Menegat aproveitou o prêmio do Cicae para dizer que esperava ver o Brasil “recuperar suas cores” e apoiar a comunidade LGBT, retratada na obra.

Na sexta (23), por sinal, a obra já havia vencido como melhor longa de ficção no Teddy, prêmio dedicado a filmes com temática “queer” do Festival de Berlim. Nessa mesma premiação, o também brasileiro “Bixa Travesty”, que acompanha as divagações da cantora travesti paulista Linn da Quebrada, rendeu aos diretores Kiko Goifman e Claudia Priscilla o troféu de melhor documentário.

Já “O Processo”, filme da brasiliense Maria Augusta Ramos que acompanha o processo de impeachment de Dilma Rousseff, ficou em terceiro lugar na escolha do público como o melhor documentário da seção Panorama do festival. Com informações da Folhapress.

Veja o trailer de ‘Tinta Bruta’

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