João Pessoa 26/05/2018 17:50Hs

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Protestos contra reforma trabalhista acabam em confrontos na França

reforma trabalhista françaEstudantes encabeçam protestos contra reforma trabalhista na França

Várias manifestações contra uma reforma na lei trabalhista da França acabaram em confrontos nesta quinta-feira (31), em Paris, Toulouse, Nantes e Rennes. Pelo menos 10 pessoas foram detidas na capital francesa. Mais de 200 protestos ocorrem em todo o país – a mobilização nacional acontece um dia depois de uma derrota do presidente François Hollande em promover uma reforma constitucional sobre o terrorismo.

Nesta quinta-feira, os manifestantes acusam o plano de mudança das regras trabalhistas de promover a precariedade do emprego. Centenas de milhares de pessoas eram esperadas nas ruas, para pedir a retirada do projeto de lei. Em Toulouse, 20 mil pessoas participaram da marcha, segundo a polícia. Em Grenoble, foram 7 mil manifestantes, e em Rouen, 6 mil, de acordo com a contagem oficial. Os manifestantes traziam cartazes dizendo frases como “Não mexa no meu emprego” e “Direto para o século 19”.

Em Paris, 10 pessoas foram presas depois de jogarem objetos contra a polícia, à margem da manifestação. Em Rennes, Toulouse e Nantes, as forças de ordem responderam com gás lacrimogêneo a ataques semelhantes.

Transportes e Torre Eiffel atingidos

Os protestos foram convocados por sindicatos de trabalhadores e estudantes, e afetam serviços como transportes. Os voos, trens e o metrô parisiense estão perturbados. No aeroporto de Orly, 20% dos voos foram cancelados. Já o aeroporto Charles de Gaulle funciona normalmente. Na rede de metrô da capital francesa, dois em cada três trens circulam. Os funcionários da Torre Eiffel aderiram à greve e o monumento está fechado.

Noticiário Francês

Para os sindicatos, a reforma do governo socialista retira direitos dos trabalhadores e facilita demissões, sem trazer medidas consistentes de estímulo à criação de empregos. “Todos os trabalhadores se sentem e são diretamente afetados pela lei trabalhista”, disse o líder da central sindical CGT, Pierre Martinez.

Adesão estudantil

A participação dos estudantes, que foi bastante forte durante as mobilizações anteriores, é considerada crucial para o sucesso do movimento de contestação. Para muitos jovens, os mais atingidos pelo desemprego, a reforma vai ampliar a precariedade do mercado de trabalho.

Estudantes grevistas bloquearam 50 escolas de ensino médio na região parisiense. A direção de dezenas de escolas decidiu manter os estabelecimentos fechados para evitar distúrbios e violência.

A medida foi criticada pelo Sindicato Geral dos Colégios (SGL, na sigla em francês), um dos principais da categoria. O vice-presidente, Pierre Monquet, viu na decisão uma tentativa de inibir a expressão dos estudantes. Ele também lamentou que muitos alunos que não aderiram ao movimento grevista tiveram que ficar nas ruas.

Reforma contestada

O projeto de lei sobre a reforma trabalhista tramita no Parlamento e já recebeu várias emendas. Nesta manhã, o primeiro-ministro Manuel Valls declarou que o governo pode fazer melhorias no texto nos artigos referentes a pequenas e médias empresas. Ele garante que não vai recuar na reforma, que considera “inteligente, audaciosa e necessária”.

A ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, disse que “ouviu as preocupações dos jovens”, mas defende uma lei, que segundo ela, é “necessária e justa”. A reforma da legislação trabalhista foi elaborada com o objetivo de flexibilizar o mercado de trabalho francês, considerado muito rígido pelos sindicatos patronais. O governo sustenta que as mudanças não vão diminuir os direitos sociais e a intenção é criar condições para gerar novos empregos. O desemprego atualmente no país é de 10%.

As mudanças visam reforçar a negociação entre trabalhadores e empregados dentro das empresas, o que incluiria acordos sobre a carga horária e regras para demissões. Diante da oposição dos sindicatos, o governo abriu mão das medidas mais polêmicas como o limite de indenizações para demissões sem justa causa. O recuo desagradou aos sindicatos patronais.

A mobilização desta quinta-feira é vista como um teste para o governo socialista e para o presidente François Hollande. Segundo analistas, ele se encontra fragilizado pelo descontentamento de parte dos eleitores de esquerda, com a adoção de uma reforma trabalhista a 13 meses da próxima eleição presidencial. Durante a campanha eleitoral em 2012, Hollande prometeu que não se candidataria à reeleição caso o índice de desemprego não diminuísse no país, até o término de seu mandato.

Com informações da AFP