João Pessoa 24/06/2018 14:33Hs

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UE não pode deixar Grécia mergulhada no caos, diz Merkel

Após países dos Bálcãs limitarem entrada de imigrantes, governo grego estima que até 70 mil poderão ficar bloqueados no país nas próximas semanas

refigiados greciaRefugiados participam de protesto n a fronteira entre Grécia e Macedônia

ATENAS — Enquanto milhares de refugiados permanecem bloqueados no território grego após países vizinhos limitares a entrada de imigrantes, a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo neste domingo por uma maior união na União Europeia, insistindo que o bloco não deixe a Grécia “mergulhadar no caos” diante da crise migratória.

— Não mantivemos a Grécia na zona do euro para abandoná-la agora. Essa não é a minha Europa — afirmou à TV pública ARD. — Meu maldito dever e obrigação é que este continente encontre um caminho conjunto.

Mais cedo, o governo grego alertou que até 70 mil imigrantes poderão ficar retidos no país nas próximas semanas por causa do fechamento parcial da fronteira com a Macedônia, enquanto considera pedir ajuda do Exército para lidar com a situação de emergência. Só neste domingo, cerca de 22 mil refugiados estão bloqueados no país, 6.500 deles no posto fronteiriço de Idomeni, no Norte do país, dois dias depois de as autoridades macedônias anunciarem na sexta-feira que limitarão a entrada em seu território a 580 pessoas.

— Segundo nossas estimativas, o número de pessoas que ficarão bloqueadas em nosso país oscilará entre 50 mil e 70 mil no próximo mês — afirmou o ministro grego de Política Migratória, Yiannis Mouzalas. — Onde for necessário, o Exército vai desempenhar um papel, assim como acontece em todas as democracias ocidentais.

Segundo o ministro, as Forças Armadas poderão ser acionadas para construir campos e centros para refugiados, distribuir alimentos ou para outros serviços. Até então, o governo grego de esquerda havia resistido a uma ação militar para lidar com a crise migratória. No entanto, começou a considerar a medida depois de a União Europeia afirmar que a situação estava prestes a ficar incontrolável ao menos que os Estados membros assumam suas responsabilidades.
Mãe cuida dos filhos em campo para imigrantes na fronteira entre a Grécia e a Macedônia – LOUISA GOULIAMAKI / AFP
A gestão da Grécia sobre a crise já foi muito criticada. Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores austríaco Werner Faymann acusou o país de se comportar como uma “agência de viagens” ao deixar passar livremente os migrantes que se deslocam para o oeste da Europa.

“Não entendo a política dos gregos. É inaceitável que a Grécia continue agindo como uma agência de viagens e deixe passar todos os migrantes. A Grécia acolheu no ano passado 11 mil solicitantes de asilo, nós, 90 mil. Isso não pode ocorrer de novo”, afirmou o dirigente social-democrata ao jornal “Österreich”.

A tensão entre os dois países aumentou desde que a Áustria limitou, no último dia 19, o número de migrantes que podem ter acesso a seu território e excluiu a Grécia de uma reunião entre as nações dos Bálcãs. Como resposta, o governo grego chamou para consultas sua embaixadora em Viena e disse que não quer ser o “Líbano da Europa”.

Com a maior fronteira marítima na Europa e muito próxima à Turquia, a Grécia tem sido o país mais afetado pela crise migratória. Só neste ano, a nação já recebeu mais de 100 mil imigrantes, e os parceiros europeus o acusam de negligenciar seriamente suas obrigações na fronteiras externas do bloco.

O Globo