João Pessoa 25/05/2018 10:48Hs

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196 cidades da seca vivem com 10% da água consumida por habitantes da Capital

 O consumo médio diário de água nos 196 municípios paraibanos em situação de emergência é de 20 litros por pessoa, em torno de 10% da média de consumo de quem vive na Capital, segundo avaliação do coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Cícero Hermínio. O gerente de monitoramento e coordenador da Sala de Situação da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Lucílio Vieira, informou que, este ano, choveu 65% menos que o esperado na Paraíba. O secretário de Estado da Infraestrutura, Efraim Morais, garantiu que todas as cidades estão sendo abastecidas por carros-pipas, mas pelos relatos das comunidades registrados em reportagens feitas pelo Jornal Correio, a água ofertada não tem sido suficiente. Este ano, foram perfurados 180 poços e a expectativa é construir mais de 180 em 2013.

Lucílio disse que, em relação ao déficit hídrico e índice pluviométrico, a seca deste ano não é a pior e citou o exemplo de 1998, quando choveu 75% menos do que a média esperada. Porém, o consumo de água aumentou nos últimos anos e Lucílio ressaltou que, em nível social e econômico, a seca deste ano pode ser considerada a maior dos últimos 30 anos. “Em 1998 choveu bem menos, porém hoje a necessidade de água é maior. Aumentaram os rebanhos e as áreas irrigadas, assim como a população, que cresceu. Sob o aspecto do déficit hídrico, em 1998 a seca foi maior. Já sob o aspecto social e econômico, essa é sim a maior dos últimos 30 anos”, afirmou. Ele lembrou que a previsão para o próximo ano deve ser divulgada em encontro marcado para o dia 17.

Segundo Efraim Morais, o número de municípios em emergência pode aumentar. Ele garantiu que todos os municípios estão sendo abastecidos por, no mínimo, três carros-pipa diariamente, e 112 deles têm convênio direto com a secretaria e os outros com o Exército. “Se o exército disponibiliza numa cidade dois carros-pipa, a secretaria oferece o terceiro. Nenhum município fica com menos de três carros-pipa. O valor contratado é R$ 5 mil por cada um, e o repasse é feito direto ao proprietário, por meio do Banco do Brasil”, disse.

JP: 200 litros por pessoa

O coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Cícero Hermínio, disse que o consumo médio diário, nos municípios em situação de emergência, é de 20 litros por pessoa. Em cidades maiores, que não estão com racionamento de água, o consumo médio é de 200 litros por pessoa – uma média de mil litros por dia numa família com cinco pessoas. “A situação realmente está crítica. O consumo médio nessas cidades é quase 10 vezes menor do que na capital”, disse.

O secretário de Infraestrutura, Efraim Morais, disse que não há uma definição de cotas do volume de água que cada pessoa pode pegar dos carros-pipa, mas que existe uma logística adotada por cada Defesa Civil municipal. “Existe uma logística, a nossa é de não faltar água. A quantidade mínima por pessoa fica a critério de cada município”, afirmou.

180 poços devem ser perfurados no próximo ano

A Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba (CDRM) perfurou, este ano, um pouco mais de 180 poços, principalmente na região do semiárido, informou o diretor de Operações, José João Correia de Oliveira. Para o próximo ano, por meio do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), estão previstos mais 180. “Estamos pretendendo perfurar mais poços, mas com outros recursos”, informou.

Ele explicou que há uma diferenciação da qualidade da água subterrânea de acordo com a região e que os poços não são perfurados aleatoriamente. “No Sertão tem nível de salinidade menor e muitos casos as águas são potáveis, que dá para o ser humano beber. No Cariri e Curimataú, tem nível de salinidade maior, mas ainda está dentro dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, ou seja, abaixo de 1.500 miligramas por litro de sais para consumo humano e até 8 mil miligramas por litro, para o consumo animal”, informou.

Segundo José João, as chances de perfurar um poço produtivo – com vazão acima de 200 litros por hora – são de 70 a 80%. Porém, os poços paraibanos têm níveis de produtividade relativamente baixos, com média de vazões em torno de 800 litros por hora. Segundo o relatório do CDRM, estatisticamente, o estado tem um sistema de rede subterrânea capaz de acumular água suficiente para suprir o abastecimento de pequenas comunidades rurais.

O gerente de monitoramento e coordenador da Sala de Situação da Aesa, Lucílio Vieira, informou que 20% da água no estado estão sob o cristalino (rochas), porém é difícil encontrar água totalmente potável. “Há poços que apresentam água salobra ou salina que não presta para abastecimento humano ou animal. A perfuração de poço é uma loteria, não sabe se vai encontrar água e, se encontrar, se ela será de boa qualidade”, disse.

Efraim Morais informou que o governo recebeu uma verba de mais de R$ 3 milhões para recuperação de poços e 25% dela já foi liberada. Ele disse que já deu início a recuperação de 486 poços, desses 100 já foram concluídos. A previsão é concluir os outros em 90 dias. Ele disse que, em alguns casos, a melhor solução é recuperar um poço do que perfurar um novo. “No caso de um poço ainda com água, mesmo que não seja para consumo humano, mas animal, o melhor é recuperar do que perfurar um novo que, além de o custo ser maior, tem o risco de não ter água”, disse.

Bombeiros abastecem

Apesar de o secretário de Infraestrutura do Estado, Efraim Moraes, garantir que há carros-pipas abastecendo 196 municípios paraibanos, em Sousa, no Sertão, cinco comunidades rurais estão sendo abastecidas pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o comandante da 1ª CRBM, major Jean Vieira, são distribuídos 8 mil litros de água por semana em cinco cisternas públicas nas comunidades de Logradouro dos Matias, Campinho, Saquinho, Malhada dos Alves e Malhada da pedra. A iniciativa partiu do Comando, porque apenas dois carros-pipa abastecem mais de 45 comunidades no município. A ação deve continuar até que volte a chover na região.

Jornal Correio da Paraíba