João Pessoa 22/05/2018 07:43Hs

Início » Notícias » À CPI, delator diz que corrupção foi institucionalizada no governo Lula

À CPI, delator diz que corrupção foi institucionalizada no governo Lula

Pedro Barusco confirmou que começou a receber propina em 1997, mas diz que o fez por iniciativa pessoal. Ele fechou acordo de delação com a Justiça

Barroso dizÀ CPI, delator diz que corrupção foi institucionalizada no governo Lula

Pedro Barusco confirmou que começou a receber propina em 1997, mas diz que o fez por iniciativa pessoal. Ele fechou acordo de delação com a Justiça

CPI da Petrobras ouve ex-diretor da estatal Pedro Barusco, no Congresso Nacional, em BrasíliaO DELATOR FALA – CPI da Petrobras ouve ex-diretor da estatal Pedro Barusco: corrupção foi institucionalizada no governo Lula(Pedro Ladeira/Folhapress)

O delator Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, fala nesta terça-feira à CPI que investiga o esquema de corrupção na estatal. Segundo ele, a corrupção da Petrobras foi “institucionalizada” a partir de 2003 ou 2004, já no governo Lula. Como já havia feito em seu acordo de delação premiada, Barusco reconheceu que recebeu propina em 1997 da holandesa SBM Offshore, mas afirmou que agiu por “iniciativa pessoal” junto com o representante da empresa.

O relator da CPI, o petista Luiz Sérgio (PT-RJ), perguntou em seguida quando o esquema mais amplo de corrupção se instalou: “A forma mais ampla, em contato com outras pessoas da Petrobras, de uma forma mais institucionalizada, foi a partir de 2003, 2004. Não sei precisar exatamente a data, mas foi a partir dali”, afirmou o ex-gerente.

Barusco disse aos parlamentares que sua ascensão na Petrobras nunca dependeu de indicações políticas. Ele ingressou na estatal por concurso, em 1979. O depoimento de Barusco à CPI da Petrobras começou por volta das 11 horas. O relator Luiz Sérgio é o primeiro a fazer perguntas para o ex-gerente.

O delator também reiterou o que havia dito em depoimento: a propina de 2% nos contratos era dividida de acordo com uma regra pré-estabelecida. No caso de um contrato firmado com a participação da Diretoria de Abastecimento, por exemplo, 1% ficavam com o diretor da área, Paulo Roberto Costa, 0,5% ia para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e outro 0,5% ficava para a “Casa”. Na maior parte dos casos, os recursos da “Casa” eram divididos entre o diretor de serviços, Renato Duque, e o próprio Barusco. Mas em alguns casos, disse ele, a propina também beneficiou o diretor da área internacional da empresa, Jorge Zelada, e o sucessor do próprio Barusco, Roberto Gonçalves.

Pedro Barusco disse que “praticamente” toda a propina que recebeu foi paga no exterior, em contas na Suíça. Ele disse que não tem detalhes de com o dinheiro era repassado a Vaccari. “Eu recebia só para mim e para o Renato Duque”. O ex-gerente reafirmou, entretanto, que havia até mesmo uma “prestação de contas” na divisão da propina. “O mecanismo envolvia o representante da empresa, eu , o diretor Duque e João Vaccari. São os protagonistas”, resumiu.

Questionado sobre a rotina do repasse das propinas, Barusco afirmou que fazia o controle dos pagamentos por meio de planilhas e em um período de dois a quatro meses havia um acerto de contas com os operadores do escândalo de corrupção. Além do tesoureiro do PT, foram citados como operadores os empresários Mário Goes e Shinko Nakandakari.

Veja