João Pessoa 26/05/2018 00:18Hs

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Cantor e mais cinco pessoas são baleadas em fim de seresta em Periperi

Crime ocorreu na madrugada desta terça-feira (9)

O cantor Leandro Ives Santana Oliveira, 29 anos, havia acabado de se apresentar, na madrugada desta terça-feira (9), na Seresta do Gaji, no bairro de Periperi, quando foi surpreendido por um homem armado atirando a esmo. Além do cantor, que ficou ferido no pé esquerdo, outras cinco pessoas também foram baleadas. Todos foram socorridos para o Hospital do Subúrbio, onde cinco delas permanecem internados.

À polícia, Leandro contou que era por volta de 2h quando parou no ponto de ônibus para comer feijão, a cerca de 100 metros do espaço onde funciona a seresta, na Avenida Afrânio Peixoto, localidade conhecida como Iguatemi, quando ouviu vários disparos e notou que havia sido atingido no pé.

Ele foi socorrido por uma pessoa que passava pelo local no momento do crime. Outro funcionário da seresta, o garçom Roberval Gomes dos Santos, que não teve a idade revelada, também esperava o coletivo quando foi baleado na coxa esquerda. A vítima relatou aos policiais que ouviu muitos tiros, mas não viu quem teria atirado.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que não foi chamada para atender a ocorrência. “No entanto, uma guarnição da 18ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Periperi), que estava em rondas na região, após receber informações sobre a entrada de seis vítimas de disparo de arma de fogo no Hospital do Subúrbio, foi até o local e constatou o fato. As vítimas registram o Boletim de Ocorrência na 5ª Delegacia (Periperi), que investigará a autoria e motivação do crime”.

Baleado nas costas, o padeiro Luciano Nascimento Silva, 19, relatou à Polícia Civil que viu quando um homem, vestindo uma camisa rosa, saiu da Seresta do Gaji atirando. Internado, Luciano conversou com o CORREIO por telefone.

“Eu corri, não vi exatamente quem foi. Só lembro de ter corrido o máximo que consegui, não olhei para trás”, disse a vítima, afirmando que estava na seresta, que havia acabado cerca de meia hora antes dos disparos. O padeiro disse que sente muitas dores mas afirmou que teve sorte ao sair vivo. “Estava distraído comendo churrasco. Ainda bem que eu corri”, salientou.

O autônomo Ricardo Conceição de Jesus, 20, estava acompanhado com a mãe, também no ponto de ônibus. Baleado nas duas pernas, ele contou aos policiais que só lembrava de ter ouvido muitos tiros. Sem se identificar, o pai da vítima contou ao CORREIO que o filho aguardava o ônibus de volta para casa, em Mirantes de Periperi. “Eles estavam sentados no ponto quando o cara chegou e meteu bala em todo mundo”, afirmou, sem saber dizer se Ricardo também estava no evento.

Pânico
Ferido de raspão na região das nádegas, o operador de produção Rogério Araújo dos Santos, 34, ainda conseguiu dar socorro a outras duas pessoas. “Eu estava sentado no ponto de ônibus, onde geralmente paro com a galera pra comer churrasco quando acaba a noite. Quando percebi os disparos, só vi a moça do churrasco falando: ‘se joga no chão, se joga no chão'”, relatou a vítima ao CORREIO. Rogério, que recebeu alta pouco depois de dar entrada no hospital, disse que houve pânico generalizado.

“O tiro foi bem de raspão. Me joguei no chão e só bem depois, quando já estava entrando no carro para socorrer uma moça e um rapaz é que senti uma queimação. Achei que tinha me batido em algum lugar”, lembrou. O operador disse que não viu quem atirou, mas que ouviu pessoas comentando que os autores do crime chegaram de moto. “Não faço ideia de quem foi. Só sei que foi uma correria horrível”, contou. A sexta vítima, Islana Pinheiro Lima, 19, foi baleada na orelha esquerda. Ela foi socorrida pelo operador Rogério e segue hospitalizada. À polícia, a jovem também afirmou que não viu de onde partiram os disparos.

No local, moradores não quiseram comentar o assunto. Em anonimato, um comerciante contou à reportagem que esse tipo de crime é recorrente. “Sempre, sempre tem. É muita bebida, muita droga que rola. Infelizmente, pessoas de bem acabam sofrendo por isso. Ainda bem que não teve nenhum morto, mas fica a lição”, disse.

Titular em exercício da 5ª Delegacia (Periperi), o delegado Silvino Martins disse que as investigações ainda estão no início. Ao CORREIO, ele afirmou que a ocorrência de festas e serestas é comum na localidade. “Aquela região é uma loucura. Sempre tem esse tipo de evento que, a propósito, é proibido”, afirmou, sem dar maiores informações sobre a apuração do caso.

Correio da Bahia