João Pessoa 18/06/2018 02:26Hs

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Chile vai às urnas para eleger sucessor de Bachelet com ex-presidente Piñera como favorito

Sebastián Piñera, com apoio da centro-direita, tem 44,4% das intenções de voto. Ele enfrenta outros sete candidatos.

Funcionário eleitoral descarrega material eleitoral para o pleito deste domingo em um estádio na capital Santiago (Foto: Esteban Felix/AP Photo)

 Os chilenos vão às urnas neste domingo (19) para escolher o substituto de Michelle Bachelet na presidência, além de renovar o Parlamento e conselhos regionais. O favorito para suceder o segundo mandato de Bachelet é o ex-presidente Sebastián Piñera, líder da aliança de direita Chile Vamos, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, inclusive em um possível segundo turno.

Cerca de 14,3 milhões de chilenos estão aptos a votar nestas eleições, em que também estão em jogo cargos para senadores, deputados e conselhos regionais. O voto não é obrigatório no país.

De acordo com a última pesquisa eleitoral do Centro de Estudos Públicos do Chile, Piñera aparece com 44,4% das intenções de voto, seguido pelo senador governista Alejandro Guillier, candidato da coalizão governamental Nueva Mayoría, com 19,7% das preferências.

Apesar da vantagem, a possibilidade de uma vitória de Piñera no primeiro turno é pequena, já que os votos estão fragmentados com oito candidatos na disputa. Além disso, a grande protagonista de domingo pode ser a elevada taxa de abstenção, como aconteceu nas últimas eleições municipais, com participação de apenas 36% dos eleitores.

Nos últimos anos, casos de financiamento irregular na direita e na esquerda minaram a confiança dos chilenos na política. A situação piorou depois que a nora de Bachelet foi processada por um caso de corrupção.

Combinação de fotos mostra candidatos presidenciais nos Chile. Acima: Carolina Goic, Jose Antonio Kast, Sebastian Pinera e Alejandro Guillier. Abaixo: Beatriz Sanchez, Marco Henriquez-Ominami, Eduardo Artes e Alejandro Navarro (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

Combinação de fotos mostra candidatos presidenciais nos Chile. Acima: Carolina Goic, Jose Antonio Kast, Sebastian Pinera e Alejandro Guillier. Abaixo: Beatriz Sanchez, Marco Henriquez-Ominami, Eduardo Artes e Alejandro Navarro (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

 Além de Piñera e Guillier, também estão na disputa Beatriz Sánchez, candidata da estreante Frenta Ampla, o equivalente ao Podemos espanhol (8,5% das intenções de voto); o esquerdista Marco Enríquez-Ominami, que disputa pela terceira vez a presidência (4,6%); a socialdemocrata Carolina Goic, a segunda representante da coalizão de centro-esquerda governista (3,9%); o ultraconservador José Antonio Kast (2,7%); além de Alejandro Navarro (0,5%) e Eduardo Artés (0,1%)

O ex-presidente milionário

Sebastián Piñera, durante campanha nesta quinta-feira (16) em Santiago (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

Sebastián Piñera, durante campanha nesta quinta-feira (16) em Santiago (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)

Piñera, que governou o Chile entre 2010 e 2014, conta com o apoio de conservadores e da centro-direita chilena na coalizão Chile Vamos, integrada pelo Renovación Nacional (RN) e o União Democrática Independente (UDI), entre outros. Ainda que ambos os partidos tenham sido o sustento político da ditadura do general Augusto Pinochet entre 1973 e 1990, Piñera não ocupou nenhum cargo durante o regime e diz que se opôs quando Pinochet quis prorrogar seu mandato por mais uma década.

Um engenheiro comercial de 67 anos, Piñera foi considerado pela Revista Forbes um dos homens mais ricos do Chile, com um patrimônio de cerca de US$ 2.700 milhões. Antes de ser eleito presidente em 2009, trabalhou em organismos internacionais, no setor privado e no mercado imobiliário. Entre 1990 e 1998 foi senador pelo RN, dando início à sua vida política.

 O candidato diz que pretende duplicar o crescimento econômico do Chile e diz que vai governar para a classe média.

Caso se consagre o vencedor, pode-se esperar um recuo no apoio a temas como o casamento gay com direito a adoção, impulsionado no Congresso por Bachelet. Piñera diz que o casamento deve ocorrer entre um homem e uma mulher e que o melhor para as crianças é ter uma família com um pai e uma mãe.

Ele também disse que se voltar ao governo fará mudanças na lei do aborto terapêutico (em caso de inviabilidade do feto, risco de vida para a mãe e estupro), aprovada recentemente depois de tramitar por dois anos e meio no Congresso.

O jornalista com candidatura independente

 Alejandro Guillier, durante campanha nesta quinta-fiera (16) em Santiago (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters)

Alejandro Guillier, durante campanha nesta quinta-fiera (16) em Santiago (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters)

As três décadas de carreira no jornalismo de Alejandro Guillier, que foi repórter, editor chefe e apresentador dos principais telejornais do país – que fizeram dele um dos jornalistas de maior credibilidade do Chile -, prepararam o caminho para que se transformasse, aos 64 anos, no candidato com mais chances dentro da coalizão governista.

A disputa à presidência como candidato sem partido o obrigou a enfrentar a complexa missão de obter, com recursos privados, mais de 30 mil assinaturas reconhecidas em cartório, em um trabalho de ‘formiguinha’ em todo o país.

 Muitos o acusam de falta de entusiasmo na campanha. Apesar de ter o apoio dos partidos tradicionais de esquerda, Guillier defende sua posição de “independente”. Iniciou sua carreira política há quatro anos, quando foi eleito senador pela região de Antofagasta (norte) com 37% dos votos.

Casado com a antropóloga María Cristina Farga, usou durante a campanha o slogan “o presidente das pessoas”, em uma tentativa de enfatizar sua proximidade com a população, que ainda o reconhece mais por seu trabalho na televisão.

Se no discurso de Piñera a palavra-chave é desenvolvimento, para Guillier o objetivo é defender as reformas do governo.

Legado de Bachelet

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, em imagem de arquivo (Foto: AP Photo/Dolores Ochoa)A presidente do Chile, Michelle Bachelet, em imagem de arquivo (Foto: AP Photo/Dolores Ochoa)

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, em imagem de arquivo (Foto: AP Photo/Dolores Ochoa)

O presidente que assumir em 11 de março o palácio de La Moneda receberá um país com uma economia em alta, impulsionada pelo aumento dos preços do cobre, depois de três anos de queda e que levou o principal produtor mundial do metal a um crescimento médio de 1,8% nos anos de governo Bachelet.

Segundo a Fundação Sol, uma ONG local especializada em estudar a desigualdade, o Chile é um dos países mais desiguais da região: 20% da população concentra 72% da riqueza do país.

A economia e o caso de corrupção que envolveu seu filho e sua nora no princípio do segundo mandato acabaram com a popularidade da presidente, a última representante de uma época dourada para as mulheres no poder na América Latina.

 Além de aprovar a união civil, que beneficia casais gays, e o aborto terapêutico, Bachelet impulsionou durante seu governo um plano de reformas, entre elas a grande reforma da educação, que instalou um sistema progressivo de gratuidade no ensino superior. A lei que estabelece a gratuidade universal permanente ainda é discutida no Congresso.

O atual sistema previdenciário, herança da ditadura de Augusto Pinochet, também está em debate. O que rege hoje é um sistema de capitalização absolutamente individual que – quase quatro décadas após sua criação – fornece aposentadorias muito baixas aos aposentados.

Bachelet enviou ao Congresso um projeto de lei que, pela primeira vez, introduz uma contribuição de 5% das empresas. Desta forma, visa aumentar em 20% o montante da aposentadoria, que atualmente representam uma média de 241 mil pesos (cerca de US$ 380).

G1