João Pessoa 24/06/2018 22:46Hs

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Cientistas querem tratar infertilidade feminina com células-tronco

O método ainda está longe do uso em humanos, mas pode um dia tornar possível criar óvulos funcionais para mulheres que não conseguem produzi-los

Mulher grávida posa para foto em Ygos-Saint-Saturnin, sudoeste da FrançaMulher grávida: segundo coordenador do estudo, sua pesquisa “cria uma base sólida para reconstituir as células germinais femininas in vitro, não só em camundongos, mas também em outros mamíferos, inclusive humanos.” (Loic Venance/AFP)

Um grupo de cientistas japoneses descobriu um tratamento alternativo para agumas formas de infertilidade feminina ao utilizar células-tronco para criar óvulos úteis em cobaias vivas, segundo estudo publicado esta quinta-feira na revista Science.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Offspring from Oocytes Derived from in Vitro Primordial Germ Cell–Like Cells in Mice

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Katsuhiko Hayashi, Sugako Ogushi, Kazuki Kurimoto, So Shimamoto, Hiroshi Ohta, Mitinori Saitou

Instituição: Universidade de Kyoto

Dados de amostragem: fêmeas vivas de camundongos

Resultado: Ajustes em alguns genes das células-tronco as tornaram algo muito parecido com células primordiais germinais que geram espermatozoides nos homens e ovócitos — ou óvulos — nas mulheres.

Embora o método ainda esteja longe de seu possível uso em humanos, é significativo por superar um dos principais desafios da medicina reprodutiva: como fabricar óvulos funcionais para mulheres que não conseguem produzi-los sozinhas ou até fazer com que as mulheres não se preocupassem mais com o “relógio biológico. Os óvulos, a partir dos 35 anos de idade, aproximadamente, acumulam mutações que podem gerar problemas nos fetos. Com a possibilidade de criar óvulos novos quando fosse necessário, essa preocupação desaparecia.

O estudo parte de uma pesquisa realizada no ano passado pelos mesmos cientistas em que conseguiram transformar células-tronco em espermatozoides úteis.

Os cientistas da Universidade de Kyoto fizeram pequenos ajustes em alguns genes de células-tronco embrionárias e pluripotentes e as tornaram algo muito parecido com células primordiais germinais que geram espermatozoides nos homens e ovócitos — ou óvulos — nas mulheres.

Posteriormente, criaram um “ovário reconstruído”, o qual transplantaram em fêmeas vivas de camundongos, onde as células amadureceram e se transformaram em ovócitos de grande tamanho e, em seguida, em óvulos.

Os pesquisadores extraíram os óvulos maduros, os fertilizaram in vitro e em seguida os implantaram na cobaia mãe adotiva. Os pequenos camundongos nasceram com boa saúde e conseguiram se reproduzir normalmente ao chegarem à idade adulta.

“Nosso sistema ajuda a criar uma base sólida para pesquisar além e reconstituir as células germinais femininas in vitro, não só em camundongos, mas também em outros mamíferos, inclusive humanos”, escreveu o coordenador do estudo, Katsuhiko Hayashi.

 

(Com Agência France Presse)