João Pessoa 21/05/2018 20:45Hs

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De pires na mão, candidatos pedem socorro para cobrir rombo da campanha

dinheiro na mãoCom o fim da campanha eleitoral, é hora de pagar as contas. Para muitos candidatos, é o início de um périplo que passa por reuniões com as cúpulas dos partidos, empresários e apoiadores, com um único objetivo: conseguir recursos para saldar as dívidas.No geral, os partidos tendem a assumir as dívidas das campanhas majoritárias, no caso da última eleição, das despesas feitas pelas campanhas aos governos dos estados, ao Senado ou à presidência da República. Já para os candidatos a uma vaga na Câmara, que gastaram mais que o previsto, o pires na mão acaba sendo a solução. Para quem perdeu as eleições então, a saga é ainda mais árdua.

“Se não mudar as regras, eu não tenho como participar disso mais não”, reclamou a deputada Iriny Lopes (PT-ES), que saiu da campanha com uma dívida superior a R$ 100 mil e não conseguiu se reeleger. A deputada arrecadou R$ 880.340,75 em toda sua campanha e obteve pouco mais de R$ 43 mil votos. A campanha mais cara do Espírito Santo foi feita pelo deputado Lelo Coimbra que gastou R$ 2.237.582,62 e obteve pouco mais de 94 mil votos.

“As campanhas estão cada vez mais caras. Eu acho que é necessário se estabelecer um teto, que não pode ser superior ao que um deputado ganharia de salário durante o seu mandato. Isso seria razoável. Da forma que está, somente quem tem o poder econômico consegue ser visto”, disse a deputada, que depois de muita peregrinação conseguiu o aval da direção do partido para poder arrolar parte de sua dívida. Nesse caso, a dívida continua sendo da candidata, mas com as garantias do partido.

Hoje não há teto de gastos determinado para cada função pública. Quem informa à Justiça Eleitoral o limite de gastos da campanha são os próprios partidos que não podem ultrapassar os limites informados.

Sem ter como arrecadar a partir de um determinado ponto da campanha, o pernambucano Carlos Eduardo Cadoca (PCdoB) ficou pelo meio do caminho nas contas e na sua intenção de se reeleger. “Arrecadei quase R$ 700 mil até agosto, com a ajuda de Eduardo Campos, que estava me apoiando. Depois que ele morreu, não tive como continuar. Acabei não me elegendo”, contou.

“Faltou fôlego”, reclama Cadoca. “Eu perdi porque não fiz dívida. Na reta final, não tinha um tostão”, contou o deputado, que há 32 anos exerce cargo eletivo, com dois mandatos de vereador, um de deputado estadual e três de deputado federal.

Campões de arrecadação

Em comparação com as campanhas mais caras para a Câmara, a baixíssima arrecadação destes deputados explica, em parte, a dificuldade. Dos deputados federais eleitos ou reeleitos neste ano, a campeã em arrecadação foi Iracema Portella (PP-PI), que declarou ter arrecadado R$ 7 milhões. Eleita para seu primeiro mandato, ela é mulher do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressista.

Em segundo lugar, estão as campanhas do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e do filho do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, Marco Antônio Cabral (PMDB), também estreante nas eleições. Cunha e Marco Antônio declararam à Justiça Eleitoral uma arrecadação de cerca de R$ 6,8 milhões cada um.

As dívidas de campanha passam longe de Eduardo Cunha, que tem como preocupação agora cuidar da disputa pela presidência da Câmara. De sobra de campanha, ele informou ter quase R$ 417 mil.

O caso de seu provável adversário na disputa da Câmara é bem diferente. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) declarou ter arrecadado R$ 1.760.853,34. Delgado, no entanto, também precisou negociar dívidas com prestadores de serviço, claro que sem as dificuldades dos não eleitos.

“Com um dos credores, eu tinha uma dívida de R$ 40 mil. Entre receber o aval do partido e simplesmente a promessa de que um dia a dívida fosse ser paga, o credor preferiu negociar e baixou a dívida para R$ 12 mil. Aí já fica mais fácil para pagar”, exemplificou.