João Pessoa 26/05/2018 00:33Hs

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Defesa de Lula diz que indiciamento tem caráter político

Advogados afirmam que relatório da PF é peça de ficção e coincide com votação do impeachment

apartamento-triplex-lulaSÃO PAULO – Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram nesta sexta-feira que o indiciamento do ex-presidente pela Polícia Federal é uma “peça de ficção” e tem “caráter e conotação políticos”, porque o apartamento está em nome da OAS e não há prova de que foi entregue ao casal, que jamais usou o imóvel ou exerceu qualquer atributo de propriedade disposto em lei. Para os advogados, a peça não tem respaldo jurídico, porque Lula e Marisa Letícia não são donos do imóvel e não são funcionários públicos.

Segundo os advogados, Lula recebeu com indignação o indiciamento. Além dele, também sua mulher, Marisa Letícia, e outras três pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal nesta sexta-feira. Para defesa do petista, o primeiro indiciamento da Lava-Jato contra Lula em Curitiba é um ato ficcional com objetivos políticos.

– Mais uma vez os atos da Lava-Jato têm uma coincidência com o calendário político do país. É um ato que, numa estranha coincidência, ocorre num momento importante político do país. Isso me leva a crer que esta peça, além de ser um ato ficcional, é um ato político – disse o advogado Christiano Zanin Martins

Martins voltou a dizer que não há provas de que o ex-presidente ou sua mulher tenham ligação direta com o imóvel. Também negou a participação do petista no caso do armazenamento do acervo presidencial. Contudo, não explicou porque a OAS fez o negócio para Lula.

Martins afirmou que não vai entrar com um habeas corpus preventivo a favor de Lula e Marisa Letícia e que não teme que o ex-presidente venha a ser preso.

– Não há requisitos legais para autorizar prisão.

O ex-presidente Lula estava em Brasília quando recebeu a informação do indiciamento. Martins disse que a reação do casal foi de indignação:

– Qualquer pessoa que é vítima de arbitrariedade e de perseguição política por uma autoridade que tem o dever de investigar, não resta outra situação que não seja a indignação. A pessoa que é vítima de perseguição e arbitrariedade se sentem indignada. É essa a sensação.

Em nota encaminhada à imprensa, a defesa afirmou que “Lula não é agente público desde 1º de janeiro de 2011 e dona Marisa jamais foi funcionária pública. Ou seja, não há como sequer cogitar da prática criminosa”.

O Globo