João Pessoa 19/08/2018 19:23Hs

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Em ato, lideranças petistas defendem que prisão de Lula é política

Para a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, decisão do juiz Sérgio Moro é "inconcebível" e só pode ser justificada pela "raiva que ele tem" do ex-presidente

A senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), criticou, na noite desta quinta-feira (5/4), a determinação do juiz federal Sérgio Moro para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregue à polícia até as 17h desta sexta. De acordo com a parlamentar, a decisão de Moro é “inconcebível” e só pode ser justificada “pela raiva que ele tem” do petista.
“Esse juiz persegue o presidente Lula por ter sido o presidente de maior popularidade, que mais fez pelo provo brasileiro”, disse Hoffmann. As declarações foram dadas na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, em São Bernardo do Campo (SP), onde foi convocada uma vigília com simpatizantes. O próprio ex-presidente também está no local.
Gleisi também repetiu o discurso dos advogados de Lula de que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) não esperou o esgotamento dos recursos para autorizar Moro a expedir o mandado de prisão para o petista. Para a presidente do PT, uma possível prisão do correligionário seria um ato político. “O que estamos vivendo é uma barbaridade, um absoluto estado de exceção. Uma pretensa violência que vai ter uma repercussão internacional desastrosa. Vamos voltar a ter presos políticos no Brasil?”, questionou a senadora.
Ao lado de Gleisi estavam o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), e o líder da minoria no Senado, Humberto Costa (PT-PE). O deputado destacou que Moro recebeu um ofício do TRF-4 e expediu o mandado de prisão em apenas 22 minutos. Na avaliação dele, a celeridade da decisão foi motivada por “um temor de que, a qualquer momento, pudesse ser concedida uma liminar pelo ministro Marco Aurélio [do Supremo Tribunal Federal], que impediria a cereja do bolo da Lava-Jato”.

Já o senador classificou a possível prisão de Lula como “sonho de consumo” de Moro e avaliou que a rapidez na expedição do mandado de prisão revelava “que o papel estava pronto há muito tempo”.

Costa disse ainda que simpatizantes do ex-presidente devem se reunir em vigílias em todo país, e exemplificou outros políticos citados em delações ou suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção — como os colegas de Senado Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP) e o próprio presidente Michel Temer (MDB) — para classificar Lula como perseguido político. “Lula é inocente. É o candidato que o povo quer. Não há porque querer cassar o direito de voto de milhões de brasileiros”, concluiu o senador.
Também na sede do sindicato dos metalúrgicos, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou o pedido de prisão de Lula, acusou o juiz Sérgio Moro de “fazer uma perseguição implacável contra o ex-presidente” e criticou o clima de intolerância da atualidade, citando os ataques à caravana do petista pelo Sul do país e a execução da vereadora carioca Mariele Franco e de seu motorista Anderson Pedro Gomes, em 14 de março, no centro da capital fluminense. “Essa prisão é completaente ilegal. A defesa tinha até terça-feira para apresentar os embargos dos embargos. Eu acho que ele teve medo de uma possibilidade de liminar do ministro Marco Aurélio de Mello e quis antecipar. É a cara do juiz Sérgio Moro, uma perseguição implacável ao presidente Lula, com atropelos”, disse, em entrevista coletiva, na sede do sindicato.
Correio Braziliense