João Pessoa 20/08/2018 02:56Hs

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Falta de maternidades públicas preocupa MPPB e CRM

Órgãos de fiscalização atestam carência dos serviços e superlotação. Solução seriam centros regionais.

maternidade candida vargasA falta de maternidades na rede pública do Estado preocupa o Ministério Público Estadual (MPPB) e o Conselho Regional de Medicina (CRM) da Paraíba, que atestam a carência dos serviços e superlotação nas unidades existentes devido à demanda de pacientes.

“Nós acompanhamos a carência de profissionais nas maternidades e temos promovido ações para a regularização dos problemas. Mas, a grande dificuldade que nós temos é a falta de cumprimento das determinações por parte dos municípios com relação à assistência obstetrícia e falta de equipes de plantão”, lamentou a coordenadora das Promotorias da Saúde do Estado, Adriana Amorim.

Por sua vez, o presidente do CRM, João Medeiros, alertou para os riscos à saúde da mãe e do bebê por falta de assistência e da sobrecarga de trabalho para os médicos que atuam nas maternidades de referência, o Instituto Cândida Vargas, na capital, e o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande.

“Se a mãe não tem uma assistência adequada, o risco da gravidez ser complicada é grande. Além disso, por essa mesma falta de assistência nos municípios a ausência do pré-natal por si só já é um risco”, frisou João Medeiros.

Para garantir a saúde das mães e dos bebês, os dois órgãos sugerem a criação de centros regionais de atendimento e também o fortalecimento das ações na Atenção Básica, através dos atendimentos realizados nas Unidades de Saúde da Família (USFs). “A mulher tem o direito de saber em qual maternidade ela terá o seu bebê. Por isso, é importante que os municípios façam os seus papéis e junto com o Estado organizem centros de referência para atender as pacientes”, criticou a promotora Adriana Amorim.

Em muitas cidades paraibanas onde não há maternidade, as prefeituras acabam fazendo pactuações com outras que oferecem a estrutura devida para os exames de pré-natal e partos. Uma das cidades que mais atendem as gestantes de outros municípios é Campina Grande, no Agreste, onde há o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), que é referência para os casos de gestação de risco, além de realizar partos comuns.

Na rede municipal de saúde da cidade, o Hospital Geral da Clipsi e a Fundação Assistencial da Paraíba (FAP) ainda servem de apoio para as gestantes que optam por realizar o parto em outra unidade de saúde, muitas vezes mais perto das suas casas.

Atualmente, Campina Grande atende a população local e mães de outras 173 cidades do Estado, sem contar com as mulheres de estados vizinhos que acabam se deslocando para o município.

Uma das cidades que Campina Grande acaba atendendo é Riachão do Bacamarte, há 28 quilômetros, onde não há sequer um hospital público. No município, a prefeitura disponibiliza três ambulâncias e ainda um carro de passeio que transporta as mulheres para o atendimento no Isea.

Segundo funcionários da Secretaria de Saúde, as mulheres nunca voltaram de Campina Grande sem o devido atendimento. No final do ano passado, uma mulher e o filho faleceram devido à demora no deslocamento e atendimento na cidade vizinha, acontecimento que poderia ter sido evitado caso existisse o equipamento público disponível na localidade.

Já em Camalaú, no Cariri, há 287 quilômetros da capital, as gestantes da cidade têm assistência para exames do pré-natal. Porém, na hora do parto, elas precisam se deslocar para três cidades referenciais: Sumé, Monteiro ou Campina Grande. Contudo, o secretário de Saúde do município, Wilson Galdino, lembra que a proximidade do município com o Estado vizinho faz com que algumas optem pelo parto em Pernambuco.

“No nosso território, principalmente na zona rural, no povoado Pindurão, as famílias têm proximidade com a cidade de Jataúba, em Pernambuco, acabam optando pelo parto nessa cidade, ou ainda em outras cidades pernambucanas, como Taquaritinga do Norte, Brejo da Madre de Deus ou Santa Cruz do Capibaribe”, explicou.
O secretário contou que no momento a prioridade do município é a construção de um hospital de pequeno porte, já que a cidade também não dispõe de tal equipamento, isso ajudaria a população de cerca de 7.000 habitantes.

 

Jornal da Paraíba