João Pessoa 27/05/2018 13:42Hs

Início » Notícias » ‘Golpe covarde e desleal’, diz Ferraço sobre destituição de Tasso

‘Golpe covarde e desleal’, diz Ferraço sobre destituição de Tasso

Aécio Neves decidiu retirar o senador cearense da presidência do PSDB nacional

 Ferraço se licenciou do mandato na terça-feira (07), após alegar insatisfação com os colegas de plenário que suspenderam o afastamento de Aécio do cargo. O senador capixaba esteve ao lado de Tasso, na quarta-feira (08), durante o lançamento da candidatura do cearense à presidência da legenda. Na ocasião, o grupo defendeu um código de ética rigoroso para o PSDB.

A ENTREVISTA

Como o senhor vê a destituição de Tasso Jereissati da presidência do partido feita por Aécio Neves?

Aécio se transformou na maior decepção para o país. Ele está se revelando um coronel de quinta, uma pessoa que não tem limite para defender seus espúrios interesses. No fundo, no fundo, ele quer tentar manter o controle do partido como se fosse um anexo dos seus próprios interesses. Foi uma atitude covarde, autoritária e desleal.

O senhor se refere a quais interesses?

À manutenção do poder de mando em torno da máquina partidária. Mas eu conversei com Tasso há pouco e ele tomou a decisão de manter a candidatura acima de qualquer circunstância, aprofundando as diferenças e distinções dos projetos liderados por ele e por Aécio Neves.

Aécio reagiu ao manifesto lançado por Tasso, que defende um código de ética rigoroso no partido?

Exatamente. Porque nosso programa estabelece um novo Conselho de Ética, um novo estatuto, regras de compliance, que são regras de integridade, comportamento e conduta ética. O nosso projeto, liderado pelo Tasso, não tem nada a oferecer a ninguém. Tem conjunto de ideias para fazer uma mea culpa e corrigir os erros.

O movimento de Aécio tem o dedo do presidente Michel Temer?

Não é dedo. Tem uma aliança de Temer com Aécio. Temer salva Aécio, depois Aécio salva Temer. Tem essa aliança para subordinar o partido aos interesses de Temer, esse conluio.

Avalia essa atitude de Aécio com um golpe?

Eu não tenho nenhum dúvida de que é um golpe covarde e desleal. Enquanto Aécio conversava com Tasso e pedia para ele abrir mão da presidência – e Tasso disse que se ele quisesse o afastasse -, o (Alberto) Goldman estava sentado na cadeira da presidência do partido.

Essa decisão acirra os ânimos no PSDB?

No dia 11 de dezembro vai ter a convenção nacional do partido. Vão se aprofundar as distinções e as diferenças entre o projeto liderado por Tasso e o liderado por Aécio, que tem um candidato, o governador de Goiás, Marconi Perillo.

A imagem do partido fica ainda mais arranhada?

Péssimo. Tudo muito péssimo. O que Aécio fez é um gol de mão.

Prejudica ou ajuda o Tasso?

Eu acho que isso fortalece o movimento liderado pelo Tasso. Deixou muito claro as diferenças éticas de um projeto e de outro.

No que influencia a eleição para a Executiva?

Acho que vai causar indignação e revolta muito grande Brasil afora, pelo gesto covarde, de autoritarismo e violência que foi tirar a pessoa com as qualidades morais do Tasso. Qualidades morais que incomodam Aécio.

Isso pode prejudicar o partido também para 2018?

Evidente que sim. A disputa e o debate estavam indo bem. Não é problema ter disputa com projetos distintos. O problema é essa posição unilateral.