João Pessoa 21/05/2018 16:56Hs

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Governo vai contratar médicos venezuelanos para atendimento de imigrantes

Venezuelanos em Boa Vista já são 40 mil Governo vai distribuir refugiados pelo país

O presidente Michel Temer e ministros em reunião com a governadora de Roraima, Sueli Campos (PP)Beto Barata/Presidência da República 

A redistribuição dos venezuelanos que chegam no Brasil pela fronteira com Roraima para outros Estados brasileiros vai focar na oferta de trabalho para que profissionais de saúde do país vizinho atendam aos próprios imigrantes. De acordo com o ministro Torquato Jardim (Justiça), a ideia é promover uma certificação do governo brasileiro para que os profissionais de saúde atendam apenas aos venezuelanos.

“A experiência piloto de interiorização se iniciará em breve. Como já foi dito, 25% dos imigrantes alegam ter curso superior. A proposta é que os médicos e enfermeiros atuariam, já que têm qualificação profissional e legal na Venezuela para tratar de venezuelanos. Seria no âmbito de reconhecer aqui no Brasil [para atender] apenas os venezuelanos”, disse Jardim, referindo-se também aos professores. As primeiras linhas do programa foram anunciadas pelo ministro na quinta-feira (6) passada.

Com o objetivo de fornecer apoio aos municípios roraimenses, o governo federal anunciou também que vai duplicar o efetivo dos pelotões de fronteira e os postos de controle.

O detalhamento foi feito durante a visita do presidente Michel Temer e outros ministros a Boa Vista, capital do Estado, após o acirramento da questão na semana passada, quando 2 incêndios criminosos atingiram casas ocupadas por imigrantes venezuelanos.

Os imigrantes viajam na tentativa de escapar da grave crise que assola o país vizinho, que sofre com desabastecimento generalizado de produtos e uma inflação que chega a 700% ao ano. Segundo cálculos da prefeitura de Boa Vista, já existem mais de 40 mil cidadãos venezuelanos na cidade, número que representa mais de 10% da população local, de cerca de 330 mil habitantes.

Segundo o ministro Raul Jungmann (Defesa), a medida provisória anunciada por Temer no encontro com as autoridades locais vai permitir o atendimento das necessidades da situação de “emergência social” pela qual passa o Estado. Ele reconheceu que, embora o problema ocorra fisicamente em Roraima, as responsabilidades devem ser assumidas por todo o governo brasileiro.

Além da duplicação dos efetivos, será montado um “hospital de campanha” em Pacaraima, cidade fronteiriça, e novos centros de triagem serão construídos pelas Forças Armadas, que passarão a coordenar todos os trabalhos humanitários dos diversos órgãos do governo federal.

“Todas as estruturas do Estado, inclusive as federais que existem, estão dimensionadas para uma situação de normalidade, que já foi ultrapassada há bastante tempo. Vivemos uma emergência”, afirmou o general Sérgio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. De acordo com ele, “80% dos 12 pontos” com demandas do governo do estado estão “praticamente resolvidos ou encaminhados”.

“Quatro ou três pontos que sobram dependem de análise de outras possibilidades jurídicas. Mas as mais prementes, urgentes, estão resolvidas”, disse Etchegoyen.

Poder360