João Pessoa 25/06/2018 09:56Hs

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Grávida que sobreviveu a onda gigante batiza filha de ‘Tsunami’

Od Judet estava grávida de oito meses quando o tsunami de 2004 destruiu o vilarejo pesqueiro de Baan Nam Khem, na Tailândia

tsunami dez anosOd Judet estava grávida de oito meses quando as ondas gigantes atingiram o vilarejo em que morava

Ela estava sentada em casa, costurando uma rede de pesca. “Ouvi um grande estrondo, como um trovão, mas o céu não estava escuro. Vi um barco de pesca enfrentando a onda gigante. Era o tsunami, mas a gente não sabia”, conta.

O tsunami matou mais de 220 mil pessoas pelo Oceano Índico. Na Tailândia, foram 5,5 mil mortos.

As ondas chegaram a até 30m de altura.

“Um homem veio correndo, gritando que uma onda gigante havia atingido a costa mais ao sul. Nós corremos até a estrada principal, mas não conseguimos chegar até lá. Foi muito rápido.”

Od Judet então, foi levada pela água, que a jogou contra a casa.

“Eu vi um pequeno menino de três anos pedindo ajuda, mas não consegui alcançá-lo. Havia nove mulheres grávidas no vilarejo, mas só a minha filha sobreviveu. Dei a ela o nome de Tsunami. Tsunami me salvou. Sem ela, eu não teria sobrevivido.”

Nove mulheres estavam grávidas no vilarejo, mas somente a filha de Od Judet sobreviveu, ela conta: ‘Tsunami salvou minha vida’
Vilarejo foi destruído pelo tsunami e, hoje, tem memorial às vítimas

Dificuldades

O tremor de magnitude 9,1 causado pelo tsunami foi o maior registrado desde 1964. O epicentro foi no litoral da Indonésia.

Sistemas de alerta e procedimentos de emergência foram implantados desde então para tentar minimizar fatalidades no futuro.

Mas Od Judet acredita que em 2004 foi a filha na barriga que lhe deu energia extra para lutar e conseguir sobreviver a uma das maiores tragédias naturais da história da humanidade.

“Muita gente diz que eu só sobrevivi por causa da minha filha. Eles dizem que eu sou sortuda. Nunca paro de pensar nisso. Às vezes, paro e penso: e se um tsunami acontecer novamente? O que vou fazer?”

Hoje a família passa por dificuldades. O marido é pescador e ela vende comida.

“Minha filha me ajuda a vender. O dinheiro que ganhamos é o suficiente apenas para as nossas necessidades diárias”, diz.

“Antes, tínhamos um grande negócio. Nossos clientes encomendavam toneladas de peixes todos os dias. Agora, não temos mais um grande barco de pesca. Só um pequeno, então só pescamos pequenas quantidades de peixe. Não temos dinheiro para investir como tínhamos no passado.”