João Pessoa 22/07/2018 18:30Hs

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Investigados na operação Xeque-Mate são levados para presídios e batalhões da PB

Operação combate esquema de corrupção na prefeitura. Desvios chegam a R$ 30 milhões, 11 pessoas foram presas e 85 servidores públicos afastados dos cargos.

Os 11 pessoas presas preventivamente na operação Xeque-Mate, deflagrada nesta terça-feira (3), na cidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, tiveram as prisões mantidas em audiências de custódia e foram encaminhadas a diferentes presídios e batalhões do estado. Entre os presos da operação da Polícia Federal e do Ministério Pública da Paraíba está o prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP) e outros cinco vereadores.

Leto Viana, identificado como líder da organização criminosa, foi encaminhado para o 5º Batalhão da Polícia Militar. A esposa dele, Jacqueline Monteiro Franca (PRP), vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, foi ouvida e levada para a 6º Companhia Independente da Polícia Militar, de Cabedelo.

Prisão do prefeito de Cabedelo (PB), Leto Viana, foi mantida após audiência de custódia (Foto: Hebert Araújo/TV Cabo Branco)

Além dos mandados de prisão, a Polícia Federal realizou 15 sequestros de imóveis e 36 de mandados busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. A Justiça também decretou o afastamento cautelar do cargo de 85 servidores públicos. Todos os 11 alvos de mandados de prisão foram detidos.

Lista dos alvos dos mandados de prisão

  1. Wellington Viana Franca (Leto Viana) (PRP) – prefeito – 5º Batalhão da Polícia Militar
  2. Jacqueline Monteiro Franca (PRP), esposa de Leto – vereadora e vice-presidente da Câmara – 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Cabedelo
  3. Lúcio José do Nascimento Araújo (PRP) – vereador e presidente da Câmara – 5º Batalhão da Polícia Militar
  4. Tércio de Figueiredo Dornelas Filho (PSL) – vereador – 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Cabedelo
  5. Rosildo Pereira de Araújo Júnior, “Júnior Datele” (PEN) – vereador – 5º Batalhão da Polícia Militar
  6. Antônio Bezerra do Vale Filho, “Antônio do Vale” (PRP) – vereador – 5º Batalhão da Polícia Militar
  7. Marcos Antônio da Silva dos Santos – Presídio Desembargador Flósculo da Nóbrega (Presídio do Róger)
  8. Inaldo Figueiredo da Silva – 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Cabedelo
  9. Gleuryston Vasconcelos Bezerra Filho – 5º Batalhão da Polícia Militar
  10. Adeildo Bezerra Duarte – Presídio Desembargador Flósculo da Nóbrega (Presídio do Róger)
  11. Leila Maria Viana do Amaral – 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Cabedelo
 Vereadores de Cabede afastados
  1. Josué Góes (PSDB)
  2. Belmiro Mamede (PRP)
  3. Rogério Santiago (PRP)
  4. Rosivaldo Galan (PRP)
Operação apreendeu R$ 300 mil reais em dinheiro durante a ação (Foto: André Resende/G1)Operação apreendeu R$ 300 mil reais em dinheiro durante a ação (Foto: André Resende/G1)

Operação apreendeu R$ 300 mil reais em dinheiro durante a ação (Foto: André Resende/G1)

A Prefeitura de Cabedelo informou, por meio de nota, que recebeu a notícia da investigação em andamento com “calma”, e garante o pleno funcionamento da máquina pública, sem prejuízo à população. “Seguimos confiando na Justiça e aguardando determinações judiciais”, diz o texto.

Foram apreendidos R$ 300 mil em dinheiro, além de joias e outros objetos durante a ação nas casas do prefeito e do presidente da Câmara. Documentos foram apreendidos com CPFs, contas bancárias e manuscritos indicando movimentação de valores e lavagem de dinheiro.

Segundo o Gaeco, o atual vice-prefeito Flávio de Oliveira foi afastado do cargo, mas não foi preso. De acordo com informações da Polícia Federal, a esposa do prefeito, Jacqueline Monteiro Franca (PRP), esposa de Leto, que é vereadora e vice-presidente da câmara municipal, também é alvo de mandado de prisão. De acordo com a PF, ela era responsável pelos contratos fraudulentos. O casal gastou milhões em imóveis com dinheiro desviado, e dispõe de um estilo de vida incompatível com a renda.

Policiais federais cumpriram mandado de busca na casa de Roberto Santiago, em João Pessoa (Foto: Plínio Almeidão/TV Cabo Branco)Policiais federais cumpriram mandado de busca na casa de Roberto Santiago, em João Pessoa (Foto: Plínio Almeidão/TV Cabo Branco)

Policiais federais cumpriram mandado de busca na casa de Roberto Santiago, em João Pessoa (Foto: Plínio Almeidão/TV Cabo Branco)

Empresário investigado no esquema

Equipes da Polícia Federal também cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do empresário Roberto Santiago, em João Pessoa. Segundo a PF, há indícios de que houve a compra de vereadores de Cabedelo para impedir a construção do shopping Pátio Intermares.

O próprio empresário divulgou uma nota nesta terça-feira. “Construí minha vida tendo como signo o trabalho honesto e estou profundamente surpreso com a operação ocorrida hoje. Tenho a plena convicção de que não cometi nenhum ato ilícito e não tenho qualquer relação administrativa ou funcional com os Poderes Executivo e Legislativo de Cabedelo. Estou, e como sempre estive, colaborando e à disposição da Justiça e das Instituições”, disse.

Polícia Federal apreendeu R$ 93 mil na casa do presidente da Câmara de Cabedelo

Polícia Federal apreendeu R$ 93 mil na casa do presidente da Câmara de Cabedelo

Desvios milionários e patrimônio muito superior à renda

Segundo as investigações, o grupo teria desviado ao menos R$ 30 milhões, sendo R$ 4,8 milhões somente utilizando cargos fantasmas. A investigação foi desencadeada a partir de uma colaboração premiada do ex-presidente da câmara Lucas Santino. O colaborador da Polícia Federal contou aos investigadores que o atual prefeito, inicialmente eleito como vice-prefeito em 2012, teria pago R$ 5 milhões ao ex-prefeito Luceninha para assumir o mandato.

Durante as investigações, ficou comprovado a participação das principais autoridades públicas do município que se beneficiavam do esquema de diversas formas, tendo registrado aumento patrimonial muito acima do condizente com sua renda. De acordo com a Polícia Federal, somente na aquisição de imóveis nos últimos cinco anos, verificou-se que um agente político envolvido movimentou mais de R$ 10 milhões à margem do sistema financeiro oficial.

Em um dos esquemas, foram detectados funcionários fantasmas da prefeitura e da câmara municipal que recebiam salários de até R$ 20 mil e entregavam a maior parte para as autoridades locais, ficando de fato com valores residuais. Foram constatadas ainda doações fraudulentas de imóveis do patrimônio público municipal, bem localizados e de alto valor, para empresários locais sem que houvesse critérios objetivos para a escolha do beneficiado.

Os envolvidos vão responder por formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude licitatória. O prefeito Leto Viana, em específico, vai responder ainda por crime de responsabilidade na esfera da administração pública. O Ministério Público e a PF disponibilizam um endereço eletrônico para denúncias relativas à investigação.

G1-PB