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IstoÉ: Delcídio diz que Temer, no governo FH, foi padrinho de operador

Aécio e cúpula do PMDB no Senado também são citados por senador petista

delcídio do amaral tresEm processo de delação, parlamentar acusa colegas de envolvimento em corrupção na Petrobras – Ailton de Freitas / Ailton de Freitas/7-5-2013
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BRASÍLIA e SÃO PAULO – O ex-líder do governo na Câmara e investigado na Lava-Jato, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse em colaboração premiada proposta à força tarefa que o vice-presidente Michel Temer foi o “padrinho” da nomeação de João Augusto Henriques para a BR Distribuidora durante o governo Fernando Henrique. Henriques foi preso pela operação Lava-Jato, sob a acusação de ser um dos operadores de propina ligados aos PMDB. A informação foi publicada na edição deste fim de semana da revista “IstoÉ”.

De acordo com o senador, Henriques, que trabalhou na Petrobras por 22 anos e deixou a estatal em 1999, época em que teria participado do que Delcídio chamou de “esquema de compra ilícita de etanol”. De acordo com o senador, que não entrou ainda em detalhes sobre o que seria o esquema, a prática teria ocorrido entre 1997 e 2001, durante o governo FH.

 

O senador também afirmou que Temer teria atuado para emplacar Henriques em substituição a Nestor Cerveró para a Diretoria Internacional da Petrobras, mas teria sido vetado por Dilma Rousseff.

 

Na última semana, O GLOBO revelou que Delcídio havia citado em seu depoimento o senador Aécio, além de quatro integrantes da cúpula do PMDB no Senado.

De acordo com Delcídio, os senadores exerciam amplo arco de influência no governo, que incluía órgãos como o Ministério de Minas e Energia, Eletrosul, Eletronorte, diretorias de Abastecimento e Internacional da Petrobras além das usinas de Jirau e Belo Monte.

Segundo o senador, empresas de Eunício Oliveira “prestavam e ainda prestam serviços terceirizados à Petrobras e a várias ministérios, através de contratos milionários”.

Peemedebistas citados na delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral negaram as acusações do ex-petista de que fizeram indicações para agências reguladoras e, se fizeram, se deu em troco de benefícios.

CITADOS REBATEM PETISTA

O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, afirmou não ser próximo de João Henriques, que foi da BR-Distribuidora e preso na Lava-Jato. Em nota, Temer, via assessoria, afirmou: “Não tem qualquer relação de proximidade com João Augusto Henriques. Nunca autorizou a utilização de seu nome em qualquer relação com esse senhor”.

A assessoria de Aécio Neves afirmou que “em relação à Furnas, trata-se de uma requentada tentativa de envolver sem qualquer comprovação diversos políticos da oposição”. Com relação à suposta interferência na CPI dos Correios, o presidente do PSDB afirma que o senador Aécio Neves sequer estava no Congresso Nacional e jamais manteve contato com o senador Delcidio para tratar desse ou de qualquer outro tema.

“A matéria publicada pela revista IstoÉ traz citações ao nome do senador de forma indireta. Não há sequer uma acusação formulada”.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), outro citado, afirmou, em nota, não ter conhecimento do teor da acusação e que sua posição de oposição ao governo é conhecida. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) afirmou ser de conhecimento público que apoiou um nome para a Anvisa, mas disse se tratar de pessoa séria.

Eunicio fez sua defesa.

— Apoiei publicamente a indicação de um funcionário de carreira da Anvisa, sobre o qual não pairam dúvidas profissionais ou éticas. Não responderei ao senador Delcidio, uma pessoa que se autointitula bravateiro.

Romero Jucá, em nota, negou ter feito indicações para ANS e Anvisa e afirmou que “é de conhecimento de todos a posição crítica do senador Romero Jucá ao atual governo. O senador estará sempre pronto e à disposição para esclarecer qualquer insinuação que se faça a sua pessoa”.

A assessoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) declarou que o parlamentar ficou estarrecido e surpreso com as acusações de Delcídio. Raupp negou ter feito qualquer indicação para o setor elétrico. A assessoria do senador ressaltou que a delação do petista está sendo questionada pela própria defesa dele. Raupp declarou que essa delação não tem credibilidade alguma.

Em outra reportagem, a revista ainda diz que a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, afirmou ter entregado à Polícia Federal um bilhete escrito pelo doleiro Alberto Youssef com menção à palavra Dilma. O manuscrito foi reproduzido pela revista “IstoÉ” publicada neste fim de semana.

Ao lado da palavra Dilma há menções aos termos “17 Viagem 16h30”, que a contadora não soube explicar o significado. Nas duas linhas acima da menção a Dilma estão os termos “Novo Embaixador 1.000 – pagar 50” e “1.000.000 BSB”, o que pode ser uma referência a Brasília. A contadora também não soube explicar o significado das menções.

À revista, a contadora disse acreditar que o apontamento de Youssef seria “algum pagamento que deveria ser feito à (sic) Dilma”. A “IstoÉ” afirma que o bilhete é a principal revelação do livro que o ex-deputado estadual Romeu Tuma Jr. e o jornalista Cláudio

Tognolli estão lançando, como título “Assassinato de reputações II – Muito Além da Lava-Jato”.

Ao GLOBO, o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, disse desconhecer o bilhete e o seu significado.

– Não tenho ideia. Nunca falamos sobre isso – disse o defensor.

O Globo