João Pessoa 23/05/2018 10:46Hs

Início » Notícias » Lula é um candidato ‘radicalmente moderado’, diz Alberto Carlos Almeida

Lula é um candidato ‘radicalmente moderado’, diz Alberto Carlos Almeida

Petista ocupa a centro-esquerda

Congesso Nacional do PC do B, que contou com a presença do ex-Pres. Lula da Silva. A Manuela DÁvila foi lancada candidata do partido a preisdencia da República. Foto: Sérgio Lima/PODER 360

É curioso ouvir a afirmação de que hoje há dois radicais liderando as intenções de voto das pesquisas: Lula, o radical de esquerda, e Bolsonaro, o radical de direita. Segundo esta análise falta o candidato de centro. Talvez não haja dúvidas quanto ao radicalismo de Bolsonaro, mas em relação a Lula, talvez uma investigação mais detida venha a mostrar que ele é radicalmente moderado.

A primeira questão que vem à mente diz respeito a eventuais medidas radicais que Lula tenha tomado quando foi presidente. No primeiro mandato ele ampliou a meta de superávit primário estabelecida no Governo Fernando Henrique. Consequentemente, ele foi radicalmente mais responsável, do ponto de vista fiscal, do que seu antecessor.

Não consta que Lula tenha tomado nenhuma medida de estatização nem tampouco de aumento de impostos sobre grandes fortunas, ou sobre faixas de renda mais elevadas. Houve a ampliação do Bolsa Família. Todavia, trata-se de uma política social estabelecida no Governo Fernando Henrique sob a denominação de Bolsa Escola, que nos governos do PT recebeu radicalmente mais recursos. Até hoje o Bolsa Família consome muito pouco do orçamento da União, nada que se compare a outros subsídios, em particular os concedidos para os segmentos mais organizados da sociedade.

Durante o governo Dilma, que tomou medidas radicalmente erradas tanto do ponto de vista político quanto no que diz respeito à economia, Lula e o segmento majoritário do PT lutaram para que figuras moderadas, como foi o caso de Antônio Palocci, se tornassem importantes e influentes no governo. Palocci foi o coordenador da primeira campanha de Dilma e se tornou seu ministro da Casa Civil. Ele caiu por causa de escândalos e isto foi um importante revés no que seria a chance que Dilma tinha de não tomar medidas radicalmente erradas, porque todas elas ineficientes sob o ponto de vista do senso comum.

Já no segundo governo Dilma, em sua montagem, Lula foi o principal responsável pela escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Todos sabem que o sonho de Lula para o cargo era Henrique Meirelles, nome supostamente rejeitado por Dilma. Lula também foi o responsável pela saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil e a entrada de Jaques Wagner, um político radicalmente moderado.

Nas caravanas de Lula pelo país, já em 2017, quando se trata de discursos realizados para o grande público, e não para militantes, Lula repete o seu tradicional bordão pequeno-burguês: é necessário aumentar o consumo dos pobres, é preciso prover acesso a bens e serviços para aqueles que ainda não os desfrutam. Trata-se do velho discurso de Lula, agora repaginado, acerca da ambição do peão de fábrica: ter seu carrinho na porta de casa e fazer um churrasco para a família aos finais de semana. Vale registar ainda que Lula é muito respeitado pelos deputados do assim chamado “centrão”. Isto não ocorreria se ele fosse um radical de esquerda.

Lula foi derrotado nas eleições de 1989, 1994 e 1998, e se saiu vitorioso em 2002, 2006, e também quando elegeu e reelegeu sua sucessora em 2010 e 2014. Ele conhece a partir de sua experiência pessoal qual o posicionamento, quais os discursos, que levam à derrota e à vitória eleitoral. Ele sabe que nas três eleições nas quais foi derrotado os seus bordões de campanha o afastavam da maioria necessária para vencer. A partir de 2002, quando se tornou o Lulinha paz e amor, a sua moderação fez com que seu partido conquistasse os votos de mais de 50% do eleitorado. Considerar hoje Lula um radical é subestimar o seu aprendizado prático.

O centro já está parcialmente ocupado por Lula, mais precisamente a centro-esquerda. É curioso, repito, que muitas pessoas não consigam perceber isto. Um esquerdista radical muito conhecido do eleitorado, como é o caso de um ex-presidente de oito anos de mandato, dificilmente teria hoje 30% dos votos se estivesse fazendo um discurso radical.

O que não está ocupado até o momento é a centro-direita. Mas será ocupada em breve pelo futuro candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

Poder360