João Pessoa 14/08/2018 15:41Hs

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Medina conquista primeiro mundial de surfe para o Brasil

No Havaí, ele ficou à frente de estrelas como Kelly Slater e Mick Fanning

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Gabriel Medina durante 3º round da competição do Billabong Pipe Masters, última etapa do Circuito Mundial de Surfe, nesta sexta-feira (19) na praia de Pipeline, em Honolulu, na ilha de Oahu no Havaí, Estados Unidos – Thiago Bernardes/Frame/Folhapress

Pela primeira vez na história um brasileiro se consagrou campeão mundial de surfe. Gabriel Medina, aos 20 anos, conseguiu o feito inédito para o país nesta sexta-feira, na praia de Pipeline, no Havaí, e se tornou o melhor da modalidade no ano de 2014.

Após cinco dias de espera, Medina foi ao mar, avançou até as quartas de final e esperou pelo desempenho de seu principal rival, o australiano Mick Fanning, nas areias de Pipeline, sede da última etapa do WCT. Fanning não superou a quinta fase (repescagem) e deixou o paulista de Maresias com o título.

“Não tenho o que falar. Eu não estou acreditando. Eu amo essa torcida que está aqui. Quero celebrar com as pessoas. Eu estava sonhando com isso e virou realidade. Eu não sei o que dizer”, disse após a conquista o brasileiro, que começou a chorar ainda dentro d’água e desistiu por alguns momentos da bateria, indo festejar com os fãs presentes na areia.

O australiano Mick Fanning foi derrotado por outro brasileiro na repescagem, Alejo Muniz, que venceu por 6,53 a 2,84. A eliminação deixou o título com o Medina antes do fim da definição da etapa de Pipeline. O surfista encarou grandes rivais no Havaí: o americano Kelly Slater e Fanning conquistaram oito campeonatos nos últimos nove mundiais organizados pela ASP (Associação de Surfistas Profissionais).

O surfista brasileiro Gabriel Medina em Trestles, na Califórnia

O surfista brasileiro Gabriel Medina em Trestles, na Califórnia – Gilberto Tadday/VEJA

Além de primeiro brasileiro a conquistar o campeonato da principal categoria do surfe, Medina é também o primeiro latino-americano a ser melhor do mundo desde 1976, quando foi criado um circuito mundial com várias etapas, nos moldes do atual. Até então, apenas o peruano Felipe Pomar exibia o título de campeão do mundo, obtido em 1965. Depois disso, o esporte passou a ser dominado por americanos, australianos e havaianos  – apesar de o Havaí fazer parte dos Estados Unidos, seus surfistas competem como se fossem uma nação independente.

Este ano, o brasileiro liderou o ranking durante praticamente todo circuito. Sua conquista coincide com os oitenta anos da prática do surfe no Brasil – o primeiro brasileiro se equilibrou sobre uma pesada prancha de madeira e deslizou sobre uma onda na praia de Santos (SP) em 1934.

Desde que o esporte se profissionalizou, no final da década de 1970, vários representantes do país conquistaram títulos mundiais na divisão de acesso à elite do surfe e em outras categorias menores, mas o melhor resultado alcançado antes por um brasileiro no ranking final da categoria mais disputada havia o terceiro lugar do cabofriense Victor Ribas, em 1999.

Uma manobra de craque

​Fonte: Marcos Duarte, professor de engenharia biomédica da Universidade Federal do ABC

(Com Gazeta Press e Agência Brasil)