João Pessoa 21/07/2018 15:31Hs

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Medo de nova ruptura barragem força saída de moradores em Mariana

Uma terceira barragem da Samarco está sendo reparada pelos bombeiros

barragem 3O temor de rompimento de uma terceira barragem de contenção de rejeitos da companhia Samarco forçou uma nova evacuação de moradores nesta quarta-feira, pouco depois de os presidentes das mineradoras gigantescas BHP Billiton e Vale examinarem o local devastado pela enxurrada da semana passada.

 

O rompimento de duas barragens da mineradora brasileira Samarco contendo milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de mineração provocou, na quinta-feira passada, uma gigantesca avalanche que devastou o distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais, deixando oito mortos, 20 desaparecidos e 631 desabrigados, segundo o último balanço do corpo de bombeiros.

 

Uma terceira barragem da Samarco – de propriedade em partes iguais da anglo-australiana BHP Billiton e da brasileira Vale – está sendo reparada pelos bombeiros e por razões de segurança, moradores da área foram evacuados, informaram a mineradora brasileira e o governo de Minas Gerais.

 

Andrew Mackenzie, presidente da BHP; Murilo Ferreira, da Vale; e Ricardo Vescovi, da Samarco, visitaram as barragens que cederam e também a de Germano, que está em obras, todas construídas para receber rejeitos da extração do minério de ferro.

 

Também se reuniram com autoridades locais e equipamentos de emergência de sua joint venture em um momento em que cresce a pressão para que as proprietárias da Samarco assumam sua responsabilidade.

 

“Fomos afetados pela devastação em Bento Rodrigues e arredores. Não podemos reconstruir as vidas das famílias que perderam seus entes queridos, mas redobramos nosso compromisso com a Samarco para apoiar seus esforços de resposta”, declararam Mackenzie e Ferreira em um comunicado conjunto após sua visita.

 

Apoio à Samarco

 

“Nossa prioridade neste momento é entender a amplitude das consequências da ruptura das barragens e como podemos oferecer apoio adicional”, disseram Mackenzie e Ferreira em um comunicado conjunto após sua visita à área devastada.

 

Os dois se comprometeram em ajudar a Samarco a criar um fundo de emergência para trabalhos de reconstrução e para ajudar as famílias e as comunidades afetadas, que será implementado “o mais rapidamente possível”, em coordenação com as autoridades. O valor do fundo ainda não foi definido.

 

Os presidentes da BHP e da Vale destacaram que especialistas em saúde, segurança, meio ambiente e geotecnia das duas empresas estão auxiliando a Samarco e afirmaram que estão discutindo apoio adicional. Eles prometeram transferir os desabrigados de hotéis para casas ou apartamentos, como determina a procuradoria de Minas Gerais, e auxiliar na reconstrução do distrito no mesmo lugar ou em outro a definir. Ferreira, no entanto, destacou que “a Samarco não é parte da Vale”, mas “uma empresa independente, que tem uma governança própria”.

 

As atividades da Samarco em Minas Gerais foram suspensas e a empresa – a décima exportadora do Brasil – pôs em licença remunerada 85% de seus funcionários neste estado e no vizinho Espírito Santo. Só na unidade industrial de Germano, afetada pela tragédia, a Samarco emprega mais de 1.500 pessoas.

 

Mais segurança

 

Vescovi, que participou de uma coletiva conjunta com Mackenzie e Ferreira, informou que foi necessário fazer reparos em uma das paredes da terceira barragem, a única que ficou de pé na unidade industrial de Germano, perto da cidade de Mariana.

 

Após soterrar sob uma lama ocre o povoado de Bento Rodrigues, a massa com rejeitos de minério de ferro avançou 450 km até o estado do Espírito Santo e segue para o mar, através da bacia do Rio Doce, que banha 23 cidades, inundando comunidades em sua passagem e destruindo cultivos e matando peixes, tartarugas e outros animais.

 

O abastecimento de água em muitos municípios mineiros e capixabas foi suspenso e os especialistas consideram que os danos ambientais serão enormes.

 

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que segundo a Presidência viajará nesta quinta-feira ao local da tragédia, informou que o governo estuda multar as empresas.

 

“Se corresponde a aplicação de uma multa (…) a aplicaremos e seremos rígidos. Vai haver punição”, afirmou a ministra em declarações à imprensa local. Ela também pediu para estudar um endurecimento da legislação e a fiscalização para evitar novos acidentes. Izabella e a presidente Dilma têm sido criticadas por não ter visitado ainda o local da tragédia.

 

O desastre fez desabar o preço das ações da BHP e da Vale na bolsa. As agências de classificação de risco Moody’s e Fitch rebaixaram a nota da Samarco e expressaram inquietação sobre uma produção menor de minério de ferro após o acidente, assim como a possibilidade de que a companhia seja processada por danos civis e ambientais e receba multas elevadas. Analistas do Deustche Bank preveem que a Samarco “poderá ficar fechada durante anos e que o custo da limpeza poderá superar um bilhão de dólares”.

Band.com