João Pessoa 19/08/2018 15:28Hs

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Moradores de São Paulo tatuam na pele o amor pela cidade; veja fotos

Nos 464 anos da capital paulista, apaixonados por Sampa mostram desenhos de prédios, monumentos, bairros e estádios eternizados no corpo.

São Paulo 464 anos: moradora tatua homenagem à cidade na pele; G1 acompanhou

Para celebrar os 464 anos de São Paulo, o G1 foi em busca de quem ama tanto a cidade que chegou a expressar esse amor de maneira permanente, com tatuagens na pele.

De uma paulistana da gema com o famoso padrão das calçadas desenhado pequenininho no antebraço a uma alagoana que se mudou para a cidade há 3 anos e fez monumentos de SP em tamanho médio sobre as costelas, até um morador da Mooca fanático pelo Juventus que cobriu as costas inteiras com homenagens à cidade e ao time, tem de tudo.

Veja acima o vídeo e abaixo as fotos e os relatos de quem tem São Paulo na pele.

Homenagem a ‘Sampa’

“Eu estou morando em São Paulo há três anos e meio. E no começo, quando eu vim pra cá, foi muito difícil. São Paulo não é uma cidade que recebe muito bem as pessoas, não é muito acolhedora, a princípio. E eu senti muito isso. Não tinha um dia que eu não queria voltar pra Maceió, que é minha cidade natal.

É engraçado, porque uma vez que você tira essa camada inicial de ‘não aceitação’ de São Paulo, você descobre uma cidade incrível com pessoas incríveis e lugares incríveis.

E meio que essa tatuagem representa isso. Até se relaciona com a frase que vai escrita embaixo, ‘Panaméricas de Áfricas Utópicas’, que faz parte da música do Caetano, ‘Sampa’. Um dia eu estava ouvindo e parei pra escutar de fato, e daí fui pesquisar sobre a letra, porque ela não é tão óbvia assim. E me identifiquei muito com ela, porque fala do momento em que Caetano vem pra cá. Ele fala que Narciso acha feio o que não é espelho, que se relaciona a você não enxergar sua cidade, sua terra natal, e por isso você acha tudo feio.

E na música ele fala dessa virada que ele teve… Ele fala que entre a cortina de fumaça você começa a enxergar as cores e tudo que tem de bom aqui, e meio que eu passei por isso também. E aí ele fala no final, dessa coisa que é você sempre fazer referência à sua terra natal, que são as Áfricas utópicas, de quando os escravos vieram para o Brasil… Sempre tem essa coisa de você tentar enxergar o seu lugar de origem como lugar utópico, ideal, mas tentar trazer isso para onde você está vivendo. E é meio a relação que eu tenho hoje aqui.”

Rafaela Calheiros, designer, 28 anos
Tatuador: Cauê Gottardi

A Mooca pelo corpoDaniel Martins não esconde a paixão por seu bairro, a Mooca (Foto: Fábio Tito/G1)

“A tatuagem de São Paulo simboliza e homenageia os heróis da Revolução Paulista de 1932. O resto dos desenhos mostram a Mooca e toda sua força na questão da imigração, onde tenho um casal de imigrantes olhando o navio no porto, simbolizando meus avós, meu tio e meu pai. Mostra também sua força na questão gastronômica, com a pizza; na religião, com a Igreja de São Rafael; o motoclube Pepe Legal, que é muito famoso no bairro; a Maria Fumaça e o Cotonifício Conde Rodolfo Crespi, que fazem referência à industrialização. Foi lá que aconteceu a primeira greve geral no país em 1917, durante a I Guerra Mundial.

Tem o elemento mais urbano, o grafitti; tem o saudoso escudo do Clube Atlético Juventus, pelo qual eu torço; e a placa da rua mais famosa da Mooca, a Javari. Finalizando, estou fazendo um “moleque travesso” que é o mascote do time, e falta o fechamento com uns ramos de café simbolizando as fábricas de café que aqui existiam.

Juntando todos os elementos surge uma homenagem de peso ao lugar onde nasci, cresci, onde presto serviço e onde irei morrer, afinal ‘Mooca é Mooca’! São Paulo não seria e mesma coisa sem a Mooca.

Monumento da Mooca na Avenida Paes de Barros é um dos elementos da tattoo que cobre as costas do veterinário Daniel Martins (Foto: Fábio Tito/G1)

Prédios históricos no braço

“Sou de Santos, nascido e criado lá. Há 8 anos vim para São Paulo, e SP acabou se tornando minha segunda cidade, minha cidade do coração. A minha tatuagem tem um desenho de Santos, também. Fiz algo pensado para homenagear duas cidades que são importantíssimas na vida. Tanto que abro mão da minha família para estar aqui, porque gosto daqui e porque aqui também tem mais oportunidades para o crescimento profissional. Minha esposa mora em Santos com meu filho. Ela está grávida de nosso segundo filho.

São Paulo foi onde cresci como profissional e onde amadureci como pessoa. Entendi muitas coisas aqui, aprendi sobre diversidade, adversidade, a respeitar mais as pessoas, a abrir mais a cabeça.

Nasci e fui criado numa familia tradicional, de valores bem conservadores. E são Paulo é uma mistura quase que infinita de cultura, raças, mentes, ideologias. Se você for para o lado positivo de SP, e se souber absorver o que tem de bom, é uma cidade que faz você ser uma pessoa melhor.”

Leandro Luiz Santos Corrêa, publicitário, 35 anos
Tatuador:
 Tete Franceskii

Além do arranha-céu, a tattoo de Leandro inclui um desenho do Copan e, mais acima, uma praia em referência a Santos, sua cidade natal (Foto: Fábio Tito/G1)Além do arranha-céu, a tattoo de Leandro inclui um desenho do Copan e, mais acima, uma praia em referência a Santos, sua cidade natal (Foto: Fábio Tito/G1)

Além do arranha-céu, a tattoo de Leandro inclui um desenho do Copan e, mais acima, uma praia em referência a Santos, sua cidade natal (Foto: Fábio Tito/G1)

Padrão paulistano

“Sou uma das poucas pessoas entre meus amigos que é daqui de São Paulo e que gosta muito daqui. A maioria das pessoas que é daqui tem sempre aquela relação de amor e ódio, de ‘como eu amo te odiar’, e não é assim pra mim.

Eu sempre gostei muito da cidade, mesmo com os problemas. E eu sempre gostei desse padrão nas calçadas, acho graficamente interessante. E falei: vou juntar o útil ao agradável.

Eu gosto de aproveitar a cidade e de sentir a cidade. Gosto de andar de metrô, andar de ônibus, andar a pé. Eu conheço todas as zonas da cidade. Sou da Zona Oeste mas tenho família em todas as zonas da cidade. Estudei no Centro quando era mais nova. E sempre andei a pé, sempre fiz tudo a pé. E eu gosto muito de andar pela cidade, e de ver. Não é aquela coisa de ‘eu amo minha cidade e odeio as outras’, não é nada disso. É só que eu gosto muito daqui e tenho orgulho, sabe? Acho um dos lugares mais fodas do mundo. Já fui pra vários lugares e gosto pra caramba daqui.”

Giulia Rosso, estilista, 31 anos
Tatuador:
 Thiago PinguimA tatuagem de Giulia em frente ao padrão paulistano que inspirou a homenagem (Foto: Fábio Tito/G1)

Paixão pelo Morumbi

“Sempre fui apaixonado por futebol, principalmente pelo São Paulo Futebol Clube, e foi essa paixão que me motivou a cursar educação física. Queria poder mostrar pra todo mundo a minha paixão pelo time e pelo futebol, aí pensei em fazer uma tatuagem com o estádio Cicero Pompeu de Toledo (o Morumbi) e em volta dele as ‘ferramentas básicas’ para se praticar o futebol, aliando tudo isso à profissão que escolhi para o resto da vida.

Eu costumo dizer que amo tanto a cidade de São Paulo que eu sou paulista, paulistano e São Paulino. E eu nasci no Hospital Santa Catarina, que fica na [Avenida] Paulista!

Estar na final da Libertadores de 2005 com certeza foi o momento em que eu percebi que o time e a cidade faziam parte de mim, não conseguia me ver em outro lugar a não ser aqui.

Foram mais de 70 mil pessoas assistindo ao jogo, a cada gol era uma mistura de emoção com sofrimento, até nos tornarmos campeões.”

Thiago Santirocco, educador físico, 27 anos
Tatuador: 
Fabioness

Masp e monumentos

“A inspiração dessa tattoo veio por dois amores que tenho na minha vida. O primeiro é a cidade onde eu nasci, pela qual tenho um carinho e amor muito grande. O segundo é minha paixão pela arquitetura.

A cidade de São Paulo fica ainda mais bonita com a preservação do passado, através de edifícios como o Masp, mas olhando para o futuro como a Ponte Estaiada.”

Lucas Soares Lins, arquiteto, 23 anos
Tatuador:
 Lucas Martinelli