João Pessoa 17/08/2018 09:07Hs

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Nova fase da Zelotes mira Grupo Gerdau em 4 estados e DF.

Siderúrgica é suspeita de cometer fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

grupo gerdauAndré Gerdau Johannpeter, presidente da Gerdau

BRASÍLIA, SÃO PAULO E PORTO ALEGRE — A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira a 6ª fase da Operação Zelotes. Os agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos endereços do Grupo Gerdau no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Também são cumpridos outros 20 mandados de busca coercitiva, sendo um deles contra o presidente da empresa, André Gerdau. A PF chegou a anunciar que o pai de André, Jorge Johannpeter Gerdau, estaria sendo levado para depor, mas corrigiu a informação.

Outras duas pessoas já presas no Complexo da Papuda estão sendo ouvidas pelos investigadores. A empresa siderúrgica é suspeita de envolvimento de fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), e teria, segundo as investigações tentando interferir no pagamento de multas em torno de R$ 1,5 bilhão em processos que tramitam no Carf.

Segundo a PF, a empresa continou a cometer ilícitos mesmo depois de ter sido deflagrada a Zelotes, em 26 de março de 2015.

Em Brasília devem ocorrer pelo menos quatro depoimentos de ex-conselheiros do Carf. Já em São Paulo, a PF deve ouvir André Gerdau.

A PF também está nas dependências da empresa, na zona Norte de Porto Alegre, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão. Além de documentos, a PF cumpre três mandados de condução coercitiva para quatro executivos da Gerdau no Rio Grande do Sul.

Três desses executivos já estão na sede da Polícia Federal na capital gaúcha. Um terceiro funcionário, que mora em Porto Alegre, não foi localizado. Um dos mandados se refere a um diretor da empresa que mora em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre.

A PF não informou a identidade dos executivos, mas confirmou que nenhum dos mandados se refere ao ex-presidente do Conselho de Administração da empresa e ex-diretor-presidente Jorge Gerdau.

Também está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão na sede da Siderúrgica Riograndense, com sede em Sapucaia do Sul – na região metropolitana.

Em março do ano pasado, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram indícios de que um simples pedido de vista de um processo de empresa ou banco no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda, poderia ser vendido por R$ 50 mil. Os sinais da negociata foram descobertos nas investigações da Zelotes, que apura fraudes nos processos do Conselho. Por meio do suborno de conselheiros, empresas e bancos conseguiram redução ou até mesmo eliminação de dívidas relacionadas à sonegação de impostos.

 As investigações do ano passado levantaram suspeita de pagamento de propina em tratativas de representantes do Grupo Gerdau para reduzir dívidas no Carf, conforme revelou O GLOBO. Empresas do grupo têm sete processos no Carf. Em cinco deles, as dívidas sobre impostos que não teriam sido pagos são da ordem de R$ 4,5 bilhões.

À época, o Grupo Gerdau reenviou ao jornal sua resposta: “A Gerdau esclarece que, até o momento, não foi contatada por nenhuma autoridade pública a respeito da Operação Zelotes. Também reitera que possui rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos”.

OUTRO LADO

Em comunicado à imprensa, a Gerdau confirmou que a Polícia Federal realiza operações em suas dependências em relação à Operação Zelotes. A empresa afirma que está colaborando integralmente com as investigações e à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos que vierem a ser solicitados.

Segundo a nota, a Gerdau afirma não concedido “qualquer autorização para que seu nome fosse utilizado em pretensas negociações ilegais, repelindo veementemente qualquer atitude que tenha ocorrido com esse fim”.

Especial para O GLOBO