João Pessoa 21/07/2018 12:03Hs

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Nova leva de ministros repete velhos vícios da política brasileira

Dilma começa a pagar a fatura das eleições, ampliando espaço do PMDB na Esplanada e dando abrigo a nomes rejeitados nas urnas

Helder barbalho bahiaHelder Barbalho (PMDB-PA), novo ministro da Pesca (Reprodução/Facebook)

O slogan “governo novo, ideias novas” foi um dos mais explorados pela campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff (PT) para mais quatro anos de mandato. Vencida a disputa, no entanto, a presidente cede a antigos vícios da política brasileira. O ‘pacotão’ de novos ministros anunciado nesta terça-feira deixa claro o principal objetivo do troca-troca na Esplanada: aplacar a sede de partidos aliados por espaço no primeiro escalão do governo, em contrapartida de apoio no Congresso. Diferente dos nomes anunciados para comandar a economia do país — Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) —, a segunda leva da reforma ministerial tem a marca do fisiologismo.

Com sua vocação para o folclore político, o ministério da Pasta já virou moeda corrente do loteamento político. Conforme o anúncio desta terça-feira, ele será comandado pelo filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Helder Barbalho (PMDB), que foi derrotado na disputa pelo governo do Pará pelo tucano Simão Jatene. Seja qual for sua familiaridade com os assuntos da pasta, isso não será problema. Afinal, essa é a pasta que já foi chefiada por quem – Marcelo Crivella (PRB-RJ) – admitia não saber “nem colocar minhoca no anzol”. Até agora, o cargo mais alto que Helder, de 35 anos, ocupou foi o de prefeito de Ananindeua, no interior do Pará. Barbalho responde a processo por improbidade administrativa na 5ª Vara Federal do Pará referente a uma auditoria do Ministério da Saúde que detectou irregularidades na aplicação de recursos da pasta no período em que ele administrou o município paraense, segundo reportagem do jornal O Globo. Barbalho pai, o senador e chefe do clã, responde a seis processos no Supremo Tribunal Federal.

Helder é da cota do PMDB, que Dilma decidiu aumentar ainda mais, um reconhecimento ao apoio da legenda para aprovar a manobra fiscal do governo para maquiar o descumprimento da meta do superávit primário. Além do herdeiro do clã Barbalho, o PMDB emplacou mais cinco nomes: Kátia Abreu na Agricultura, Eliseu Padilha na Secretaria de Aviação Civil, Edinho Araújo na Secretaria de Portos, Vinicius Lages no Turismo e mais um perdedor das eleições, Eduardo Braga, que perdeu a corrida pelo governo do Amazonas e agora vai para o poderoso Ministério das Minas e Energia.

Dilma foi eleita em coligação com nada menos que oito partidos (além do PT), e até agora contemplou seis na reforma: PMDB, PSD, PCdoB, PROS, PRB e PTB. Como um gesto de gratidão pelo apoio nas eleições, a presidente alojou o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS) no ministério da Educação. Em setembro de 2013, ele se desfiliou do PSB, após o então presidente da legenda, Eduardo Campos, romper com o governo federal e anunciar a sua candidatura à presidência. A gratidão de Dilma alcançou também o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD), outro derrotado nas urnas alçado à Esplanada – vai comandar o cobiçadíssimo Ministério das Cidades, desalojando o PP.

No centro do escândalo do petrolão, o PP tem sido um dos entraves da reforma política. O partido é o que tem mais filiados citados nas delações do esquema bilionário de corrupção instalado na Petrobras. Para não correr o risco de indicar um nome suspeito, Dilma manifestou a intenção de consultar o Ministério Público, esquisitíssimo critério de reforma ministerial que a Procuradoria-Geral da República não deixou prosperar – e que o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa considerou uma “degradação institucional”. Seja quem for o escolhido, o PP espera ser agraciado com outro ministério de peso, a Integração Nacional. A derradeira leva de indicações deve sair na semana que vem.

 

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