João Pessoa 21/06/2018 23:25Hs

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Primeiro caso no País: PB registra transmissão de chikungunya de mãe para bebê durante gravidez

chicungunia bebeResultados de exames feitos na Paraíba confirmam a transmissão de chikungunya da gestante para o feto. Pesquisadores dizem desconhecer qualquer precedente similar no País. Trata-se de um bebê de 12 dias que apresentou fortes convulsões e agora está internado em uma unidade de terapia intensiva na cidade de Campina Grande.

O alerta foi dado por pediatras do Hospital Municipal da Criança e confirmado pela equipe da obstetra Adriana Melo, médica também responsável pela identificação do vírus zika no líquido amniótico de dois fetos com microcefalia em 2015.

O exame foi realizado em Campina Grande por pesquisadores do Instituto Paraibano de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas (Facisa) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Outros dois casos na cidade estão em investigação pelo grupo de pesquisa liderado por Adriana.

Já havia relatos de casos de transmissão de chikungunya da mãe para o bebê durante a gestação na literatura mundial, afirma Adriana. Ela diz desconhecer, no entanto, casos dessa transmissão comprovados no Brasil. O exame realizado para identificar traços do vírus foi feito tanto no bebê quanto na mãe.

O resultado reforça o alerta para gestantes, que devem adotar medidas de proteção contra o Aedes aegypti, mosquito vetor de zika, dengue e chikungunya, ao longo de todo o período da gestação. “Enquanto o maior risco de transmissão do zika ocorre nos primeiros três meses de gravidez, no caso de chikungunya ocorre o oposto. A transmissão para o feto geralmente acontece quando a mãe adoece já no fim da gestação”, afirma o pesquisador Rivaldo Cunha, da Fundação Oswaldo Cruz.

O pesquisador observa que casos de transmissão vertical já foram relatados em uma epidemia na Ilha Réunion, no Oceano Índico, durante os anos de 2005 e 2006. Cunha relata que a transmissão, quando ocorre, pode levar o bebê a ter problemas graves de saúde. “Não há casos de má-formação. O que ocorre são problemas depois, relacionados à ação do vírus no sistema nervoso”, diz a médica.

As convulsões, de acordo com Adriana, são resultado de meningite. “O vírus provoca problemas neurológicos, levando a esse tipo de reação.”

Ig